Ex-sócio da Fictor fez visitas frequentes a Hugo Motta antes de anúncio da compra do Master
Visitas de ex-sócio da Fictor a Hugo Motta antes da compra do Master
Luiz Phillippe Rubini, ex-sócio da Fictor, fez visitas frequentes à residência oficial da presidência da Câmara dos Deputados, em Brasília, durante os meses de setembro e outubro do ano passado. Essas visitas ocorreram às vésperas do anúncio da compra não concretizada do Banco Master.
Durante esse período, Rubini comparecia quase toda semana, geralmente nas terças ou quartas-feiras, por volta das 7h, para tomar café da manhã com o deputado federal Hugo Motta (*Republicanos/PB*), conforme informações de pessoas próximas. Relatos indicam que as discussões sobre a tentativa de "salvar" o Banco Master estavam em pauta.
Naquele momento, a Fictor já estava em negociações com Daniel Vorcaro, que também se comunicava com Motta e outros parlamentares do Centrão. Conforme reportado pelo ICL Notícias, a empresa firmou um contrato de R$ 500 milhões com a Titan Capital em 16 de outubro, holding que gerencia os investimentos pessoais de Vorcaro e está registrada em um paraíso fiscal. Um mês depois, em 17 de novembro, a Fictor anunciou sua intenção de adquirir o Banco Master.
Em nota, Rubini negou ter qualquer relação com Hugo Motta e afirmou que nunca houve reuniões oficiais entre eles. Quando questionada se a negativa se referia a todos os encontros ou apenas a reuniões de trabalho, a assessoria de Rubini esclareceu que se referia a "encontros de natureza oficial".
O ex-sócio também alegou não ter participado de negociações envolvendo a Fictor, a Titan Capital ou o Banco Master, afirmando que "já não integrava a empresa à época dos fatos". Ele ainda mencionou que não tinha contato com Vorcaro, com quem, segundo ele, não possuía relação pessoal ou profissional. O ICL Notícias tentou contato com Hugo Motta e a Fictor, mas não obteve resposta.
A proposta de compra do Banco Master não avançou. No mesmo dia em que a aquisição foi anunciada, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades no Sistema Financeiro Nacional. Após isso, o Banco Central decretou a liquidação do Master.
A investigação da PF apura suspeitas de fraude e possíveis ligações da Fictor com as irregularidades do banco, após empresas do grupo pedirem recuperação judicial, menos de três meses depois de anunciar um aporte de R$ 3 bilhões para a compra do banco de Vorcaro.
Embora tenha anunciado sua saída da sociedade da Fictor em dezembro de 2024, Rubini continuou a trabalhar nos escritórios da empresa em São Paulo e Brasília até novembro de 2025, conforme informações de funcionários.
Atualmente, Rubini é credor da Fictor em R$ 34,4 milhões e permaneceu como conselheiro de empresas do grupo até outubro do ano passado.
Uma reportagem do portal UOL revelou gravações de reuniões internas da Fictor, onde o CEO e sócio da empresa, Rafael Paixão, mencionou que a companhia enfrentava uma crise "reputacional", mas decidiu "lutar", pois as vidas de todos estavam em jogo.
Rubini foi responsável pelo aluguel de uma mansão no Lago Sul em Brasília, utilizada pela Fictor para receber políticos e empresários. Reportagens indicam que o local recebeu ministros do governo federal e parlamentares do PT.
Em nota, o empresário esclareceu que, após deixar a sociedade da Fictor, limitou-se a tratar de atos formais de conselho e da transição. Ele acrescentou que o imóvel mencionado era utilizado como escritório da empresa, frequentado por membros e funcionários, sem qualquer finalidade irregular.
Especialista em Relações Governamentais
Luiz Phillippe Rubini, de 39 anos, se define como investidor e empreendedor. Em seu currículo, afirma ser "especialista em relações institucionais e governamentais com foco na articulação estratégica com stakeholders nacionais e internacionais".
Em novembro de 2024, foi convidado pelo Senado a integrar uma frente de diálogo com o Brics. Em agosto de 2025, foi nomeado para o Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Presidência da República — o chamado “Conselhão”.
Rubini também é mencionado em reportagens sobre sua relação com Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", filho do presidente Luís Inácio Lula da Silva (*PT*), que está sob investigação da PF por desvios no INSS. Segundo a Revista Piauí, Rubini e Lulinha se conheceram quando o empresário agenciava jogadores de futebol na Espanha.
Inquérito da PF
A Polícia Federal abriu um inquérito contra o grupo Fictor, que tentou comprar o Banco Master, investigando fraudes financeiras, captação irregular de recursos e gestão temerária após pedido de recuperação judicial.
A investigação também envolve a exoneração de um delegado pelo governador do Espírito Santo, após detecção de suspeitas sobre um juiz federal, com a PF buscando acesso a provas obtidas no estado.
A situação do Banco Master e as festas realizadas em Trancoso estão sob escrutínio, assim como o ataque ao gabinete de Netanyahu por parte do Irã, que foi negado por Israel.
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