Ex-diretor do INSS admite receber mais de R$ 2 milhões ...
Ex-diretor do INSS confirma recebimento de mais de R$ 2 milhões, mas nega desvios
Alexandre Guimarães, ex-diretor do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), admitiu em depoimento que recebeu mais de R$ 2 milhões de empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Apesar disso, ele negou qualquer envolvimento com um esquema de desvios relacionados a aposentadorias e pensões.
Durante seu depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes, Guimarães, que não possui habeas corpus, comprometeu-se a falar a verdade. Ele revelou que era sócio proprietário da Vênus Consultoria Assessoria Empresarial S/A, fundada em 2022 para oferecer serviços de educação financeira à Brasília Consultoria, uma das empresas de Antunes. A consultoria encerrou suas atividades em 2025, após a Operação Sem Desconto da Polícia Federal.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), questionou Guimarães sobre a natureza dos pagamentos recebidos. O ex-diretor respondeu que não recebeu valores diretamente de Antunes, mas sim da empresa para a qual prestava serviços. Gaspar continuou a indagar sobre outros possíveis clientes da consultoria, ao que Guimarães confirmou que não havia outros além das empresas de Antunes.
Guimarães também compartilhou que seu primeiro contato com Antunes ocorreu em 2022 por meio de amigos, sem qualquer ligação com o INSS, e que discutiram um projeto de exportação de frutas para a China.
A convocação de Guimarães foi aprovada com base em requerimentos de diversos parlamentares, incluindo senador Izalci Lucas (PL-DF) e deputados Rogério Correia (PT-MG), Adriana Ventura (Novo-SP), Duarte Jr. (PSB-MA) e Sidney Leite (PSD-AM).
O senador Izalci destacou que Guimarães esteve à frente da diretoria durante um período crítico, quando, segundo investigações da Polícia Federal, ocorreram desvios em aposentadorias e pensões. Ele questionou sobre os serviços de educação financeira prestados. Guimarães afirmou que eram inserções educativas, que começaram com duas por semana e aumentaram para mais de 16 mensais.
Durante sua gestão, o número de denúncias de descontos indevidos em aposentadorias cresceu significativamente, quase dobrando anualmente entre 2022 e 2024. Segundo Guimarães, isso se deu pela transferência da ouvidoria para dentro do INSS, facilitando o recebimento de reclamações.
O ex-diretor também mencionou que sua primeira passagem pelo INSS foi em 2017, indicado pelo ex-deputado André Moura (SE), e retornou em 2021 por indicação do deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG).
Em nota, André Moura negou qualquer vínculo com os fatos investigados e esclareceu que sua função foi apenas a de encaminhar a documentação do indicado ao órgão competente, sem atribuições de fiscalização.
A reportagem foi realizada por Murilo Souza e editada por Geórgia Moraes.
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