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Ex-astro do futebol diz que recebeu 5 mil ameaças após apoiar Vini Jr.

Wesley Sneijder revela ter recebido ameaças após apoiar Vini Jr.

O ex-jogador da Inter de Milão e ícone da seleção da Holanda, Wesley Sneijder, afirmou ter recebido milhares de ameaças de morte após manifestar apoio a Vini Jr. em um caso de suposto racismo que ocorreu durante a partida entre Real Madrid e Benfica na Champions League.

Sneijder comentou que recebeu aproximadamente "quatro ou cinco mil mensagens ofensivas" em suas redes sociais após seu pronunciamento sobre o incidente.

Em um programa de TV na Holanda, ele declarou: "Recebi ameaças da Argentina nas minhas mensagens diretas porque dei minha opinião sobre o assunto. Sim, é verdade. Aqueles que me ameaçam também têm direito à sua opinião. Mas eu também tenho uma opinião baseada no que vejo".

O ex-jogador criticou Gianluca Prestianni, que foi acusado por Vini Jr. de racismo durante o jogo. Para Sneijder, Prestianni deveria "ser homem e não puxar a camisa pela cabeça" ao ofender alguém. Ele ressaltou: "Você está ganhando por 1 a 0, acabou de marcar um gol fantástico, você não vai falar com o árbitro assim".

O incidente ocorreu quando o brasileiro marcou um gol pelo Real aos quatro minutos do segundo tempo. Durante a comemoração, Prestianni se aproximou de Vini Jr. e fez uma declaração com a boca coberta pela camisa. O camisa 7 relatou que foi chamado de “macaco” pelo meia do Benfica, uma acusação que foi corroborada por seu companheiro Kylian Mbappé, que disse ter ouvido o termo racista cinco vezes.

Após o alerta de Vini Jr. ao árbitro François Letexier, o protocolo antirracismo foi ativado, levando a uma paralisação de cerca de dez minutos na partida.

A interrupção gerou discussões entre os jogadores, e Vini Jr. precisou ser contido por José Mourinho, técnico do Benfica. Mourinho, por sua vez, foi alvo de críticas após minimizar a gravidade das acusações em uma entrevista, onde também criticou a comemoração do brasileiro.

"Uma coisa é o que Vinicius diz, outra é o que diz o Prestianni. São coisas completamente diferentes", afirmou Mourinho, acrescentando que a reação de Vini Jr. "acabou com o jogo".

O Real Madrid denunciou o caso à Uefa, que iniciou uma investigação e suspendeu Prestianni por uma partida. Ele ficará fora do jogo desta quarta-feira, embora tenha viajado para Madri e treinado normalmente.

Em comunicado, a Uefa informou que a decisão foi baseada na violação do Artigo 14 do Regulamento Disciplinar, que aborda comportamentos discriminatórios.

Prestianni negou as acusações em uma postagem no Instagram, alegando que Vini "interpretou mal o que acredita ter ouvido". Segundo a ESPN, o jogador argentino afirmou à Uefa que chamou o brasileiro de "maricón" — um termo homofóbico — e não de "mono".

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também se manifestou, pedindo à Fifa e à Uefa uma punição rigorosa aos envolvidos e uma "investigação minuciosa". Além disso, o governo português anunciou a abertura de uma investigação administrativa pela Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD).

Diversos jogadores e ex-jogadores expressaram apoio a Vini Jr., incluindo Endrick, atacante do Real Madrid, e Luisão, ex-zagueiro e ídolo do Benfica. Fora do futebol, o piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton também se solidarizou com o brasileiro.

No Brasil, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e os ministérios da Igualdade Racial e do Esporte publicaram notas de repúdio.

Confronto no Santiago Bernabéu

Com a vitória por 1 a 0 no jogo de ida, o Real Madrid entra em campo com a vantagem e joga pelo empate. O Benfica precisa vencer por dois gols de diferença para se classificar no tempo normal.

Se houver empate no placar agregado, a disputa seguirá para a prorrogação. Persistindo a igualdade, a vaga será decidida nos pênaltis.

Quem avançar do duelo enfrentará na próxima fase o Sporting ou o Manchester City, dependendo do sorteio realizado pela Uefa na próxima sexta-feira (27).


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