cnnbrasil

EUA x Irã: Professora diz que regime iraniano é resiliente

Resiliência do Regime Iraniano em Debate

O regime do Irã tem se mostrado bastante resiliente ao longo dos anos, o que torna prematuro discutir a possível queda do líder supremo Ali Khamenei, mesmo com os recentes ataques ao país. Essa avaliação é da professora de Relações Internacionais do Ibmec-SP, Karina Calandrin, em entrevista à CNN Brasil.

Calandrin aponta que o atual conflito no Oriente Médio é mais uma tentativa de mudança de regime no Irã, algo que já foi buscado em outras ocasiões. "Este conflito é uma nova incursão no Oriente Médio, uma tentativa, mais uma vez, de derrubar o regime", afirmou a especialista.

Ela enfatizou que, apesar das manifestações no final do ano passado e início deste ano conferirem certa legitimidade à intervenção americana, tais ações ainda são consideradas ilegais sob o direito internacional.

"Os Estados Unidos e Israel não poderiam ter agido assim, independentemente do apoio popular iraniano e da perda de popularidade do regime do Ayatollah", explicou.

Apoio Internacional e Desafios Internos

A professora também ressaltou que o regime iraniano se mantém no poder desde a Revolução de 1979, demonstrando habilidade em lidar com crises políticas e regionais. Calandrin observou que a repressão interna é uma ferramenta crucial, como evidenciado pelos recentes protestos que resultaram em numerosas mortes.

Além disso, o regime conta com apoio internacional, especialmente da Rússia e China, que oferecem suporte indireto para o controle da população. "É muito difícil essa queda", concluiu.

Quando questionada sobre a possibilidade de Reza Pahlavi, herdeiro da antiga monarquia iraniana, assumir o governo após a queda do regime atual, Calandrin se mostrou cética.

"Não o vejo assumindo a não ser que seja uma figura simbólica, com apoio internacional mais do que doméstico", analisou.

Ela explicou que a população iraniana, em geral, não deseja o retorno da monarquia, que já não era popular antes da Revolução de 1979 devido à interferência externa.

"Acho que a população iraniana tem o direito de lutar pelo seu próprio destino e por um novo tipo de governo, seja ele republicano ou democrático, mas eles vão decidir os rumos disso", defendeu.

Calandrin ainda alertou sobre os riscos de uma transição de poder inadequada caso o Ayatollah seja removido à força por forças estrangeiras, citando intervenções malsucedidas em outras nações.

Para a especialista, o momento dos ataques pode estar ligado ao enfraquecimento do regime, tanto militarmente quanto em termos de popularidade, após os recentes protestos no país.


← Voltar para as notícias