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EUA vive clima de tensão a três meses da Copa do Mundo

Publicado às 02/03/2026 às 08:46

Com retórica agressiva contra imigrantes, divisões políticas internas e tensões com aliados, a imagem dos Estados Unidos está sob pressão a três meses do início da Copa do Mundo. Apesar do sucesso nas vendas de ingressos, que promete estádios lotados, o clima é de incerteza.

A expectativa era alta, já que pela primeira vez um Mundial com 48 seleções e 104 jogos seria coorganizado por Estados Unidos, Canadá e México, nações que mantêm laços estreitos há mais de 30 anos. No entanto, a situação se complicou com o retorno do presidente Donald Trump à Casa Branca no ano passado.

Conflitos diplomáticos e medidas controversas têm marcado seu governo. Trump lançou uma guerra tarifária global, incluindo ataques a seus vizinhos, e fez declarações polêmicas sobre o Canadá e o México. Além disso, suas relações com aliados europeus se deterioraram, exacerbadas por suas ambições em relação à Groenlândia e mudanças de postura em relação à Ucrânia.

No Oriente Médio, uma nova guerra contra o Irã, em parceria com Israel, ameaça a participação da seleção iraniana, já classificada para o torneio. Na América Latina e na África, poucos países contam com o apoio da Casa Branca, que endureceu sua política de imigração.

A suspensão de vistos para imigrantes de 75 países anunciada em janeiro gerou apreensão entre torcedores. Quatro das nações afetadas — Irã, Haiti, Senegal e Costa do Marfim — estarão presentes na Copa. Embora o governo assegure que a medida não se aplica a vistos de turistas, muitos temem os processos burocráticos.

O governo implementou um procedimento acelerado para agendamentos nos consulados americanos, mas a concessão de vistos não é garantida. Além disso, a proposta que exige cinco anos de histórico de mídias sociais dos solicitantes pode criar mais incertezas.

Minky Worden, diretora de Iniciativas Globais da Human Rights Watch, destacou que "a Fifa não pode garantir a segurança dos turistas nos Estados Unidos sem garantias do governo Trump contra prisões e deportações".

A 100 dias do início do torneio, o discurso de Trump provoca divisões profundas, lembrando os tempos mais conturbados da história recente. Em operações do ICE em Minneapolis, prisões de imigrantes em situação irregular resultaram em protestos, culminando em tragédias.

A sensação de insegurança pode impactar a experiência dos torcedores. Worden observa que o clima atual não transmite a mensagem de boas-vindas esperada para o evento. Torcedores que adquiriram ingressos para celebrar suas seleções podem se sentir inseguros, especialmente em um ambiente onde é necessário portar documentos constantemente.

Julien Adonis Kouadio, presidente do comitê oficial de torcedores da Costa do Marfim, expressa preocupação com a possibilidade de obstáculos que impeçam a celebração do verdadeiro espírito do futebol.

Tim Elcombe, professor da Universidade Wilfrid Laurier, comenta que os Estados Unidos agem de forma diferente de outros países que sediaram o evento anteriormente, como Rússia e Catar, que tentaram se apresentar como nações acolhedoras. Segundo ele, o governo americano "não está preocupado com a imagem externa", utilizando o torneio como uma ferramenta para exibir seu poder.

Além disso, a situação no México, marcada por uma onda de violência após a morte de um líder de cartel, levanta novas preocupações, especialmente nas zonas turísticas. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou estar "tranquilo" em relação à segurança dos jogos no país, enquanto a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, garantiu que não há riscos para os torcedores.


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