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EUA enviam missão ao Brasil para discutir minerais críticos em março

Representantes do governo dos Estados Unidos visitarão o Brasil em março para participar de reuniões e fóruns sobre minerais críticos e estratégicos, em São Paulo. A agenda visa desbloquear negociações, fortalecer parcerias e avaliar projetos com potencial de financiamento americano.

A informação foi confirmada à CNN Money por membros da Embaixada dos EUA no Brasil, além de representantes de mineradoras de terras raras e outros minerais críticos que participarão dos encontros. Fontes do governo federal também indicam que a participação oficial nas agendas ainda está sendo avaliada.

A comitiva americana incluirá principalmente membros do Departamento de Estado, do Departamento de Comércio e da U.S. International Development Finance Corporation, agência que apoia investimentos estratégicos em países em desenvolvimento.

A presença significativa de representantes do Departamento de Estado é vista como um indicativo do interesse político do governo americano nas negociações sobre minerais críticos.

As atividades terão início em 16 de março, com o evento principal previsto para 18 de março, quando ocorrerá um fórum para discutir possibilidades de cooperação entre os dois países. Representantes de mineradoras elegíveis a possíveis financiamentos devem estar presentes.

O tom das reuniões ainda é incerto, pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode se encontrar com o presidente dos Estados Unidos no mesmo dia, em Washington, para discutir a cooperação na área de minerais críticos.

Tanto no governo quanto no setor privado, há consenso sobre a centralidade dos minerais críticos nas conversas entre os dois países.

Executivos do setor esperam que a agenda possa culminar na assinatura de um memorando de entendimento, possivelmente um documento mais geral, similar a acordos firmados com Índia e Arábia Saudita.

Caso a reunião entre os presidentes ocorra após as agendas no Brasil, as reuniões em São Paulo poderão servir como uma preparação técnica e política, mapeando projetos e alinhando expectativas.

Alguns projetos, especialmente nas áreas de terras raras, grafite e níquel, são considerados candidatos a receber investimentos americanos durante esses encontros.

O projeto Caldeira, da australiana Meteoric Resources, é um dos maiores depósitos de terras raras fora da China e já conta com carta de intenção de financiamento do Export-Import Bank of the United States.

As reuniões se inserem na prioridade da gestão Donald Trump de reduzir a dependência americana de minerais processados pela China.

Dados da IEA (Agência Internacional de Energia) mostram que cerca de 91% do refino global de terras raras é realizado por empresas chinesas, que dominam aproximadamente 94% da produção de ímãs permanentes utilizados em turbinas, motores e equipamentos de defesa.

A IEA classificou essa concentração de mercado como um risco geopolítico, alertando que o domínio chinês permite influenciar preços e controlar o acesso a países concorrentes, além de afetar o avanço de tecnologias estratégicas.

Para Washington, esse tema é especialmente sensível, pois a supremacia militar e tecnológica dos EUA pode ser ameaçada se a China ampliar seu controle sobre insumos essenciais para defesa, inteligência artificial e energia limpa.

Nesse cenário, o Brasil ganha relevância, detendo a segunda maior reserva de terras raras do mundo, embora ainda não produza significativamente.

Não há um marco regulatório específico para o setor, e a cadeia produtiva ainda é incipiente. Entretanto, empresas ocidentais já iniciaram a aquisição de projetos e a realização de pesquisas em território nacional.


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