EUA e Israel atacam Irã e país revida; o que aconteceu até agora
EUA e Israel realizam ataque ao Irã; resposta e consequências até agora
Julia Braun, da BBC News Brasil em Londres
28 de fevereiro de 2026, 05:49 -03 (Atualizado há 4 minutos)
Na manhã deste sábado (28/02), Estados Unidos e Israel desencadearam um ataque coordenado ao Irã. O presidente americano, Donald Trump, anunciou que "grandes operações de combate" estão em andamento.
De acordo com a agência de notícias iraniana Fars, explosões foram registradas em cinco cidades: Isfahan, Qom, Karaj, Kermanshah e na capital, Teerã. O gabinete do líder supremo e o gabinete presidencial em Teerã também teriam sido alvos.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã prometeu uma "resposta esmagadora", afirmando que os ataques ocorreram "mais uma vez durante negociações" com Washington.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) relataram que o Irã lançou ataques retaliatórios contra Israel.
Instalações da Marinha americana no Bahrein também foram alvos de mísseis, conforme informações do governo local, com explosões sendo ouvidas em Doha, no Catar.
Este ataque ocorre após semanas de negociações entre Washington e Teerã para um acordo sobre o programa nuclear iraniano.
Trump publicou um vídeo confirmando os ataques, ressaltando que a ação é uma medida preventiva. Segundo ele, o Irã "tentou reconstruir seu programa nuclear e continua desenvolvendo mísseis de longo alcance que agora podem ameaçar nossos aliados na Europa, nossas tropas no exterior e que em breve poderiam atingir o território americano".
O presidente afirmou que os EUA pretendem reduzir a indústria de mísseis do Irã a pó e "aniquilar" sua Marinha. Ele também incentivou os iranianos a aproveitarem o momento para derrubar o regime clerical. "Quando terminarmos, tomem o poder. Esta será provavelmente a única chance que terão por gerações", declarou.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, descreveu a operação como um "ataque preventivo".
Em um comunicado, o presidente israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "um regime terrorista assassino" não deve ter armas nucleares que possam ameaçar a humanidade. Ele agradeceu a Trump por sua "liderança histórica".
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos relatou um "ataque envolvendo mísseis balísticos iranianos" que resultou na morte de um civil em Abu Dhabi.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que, embora estivesse ciente das intenções dos EUA e de Israel, manteve participação nas negociações. A pasta destacou que os ataques ocorreram "enquanto o Irã e os Estados Unidos estavam em meio a um processo diplomático".
A terceira rodada de negociações indiretas entre o Irã e os EUA ocorreu há dois dias, em Genebra, sem progressos significativos. Anteriormente, cinco rodadas em maio de 2025 não resultaram em acordos, e uma sexta rodada, prevista para junho, foi cancelada após ataques israelenses.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que o "inimigo" presumiu erroneamente que o povo iraniano cederia às exigências por meio de ações covardes e que já iniciaram medidas retaliatórias.
O governo iraniano alertou que as operações dos EUA e de Israel podem continuar em Teerã e outras cidades, pedindo aos cidadãos que mantenham a calma e se dirijam a áreas seguras, sempre que possível.
As escolas e universidades permanecerão fechadas, enquanto os bancos operam com 50% da capacidade. O Irã enfrenta um bloqueio quase total da internet, com a NetBlocks relatando a situação.
Companhias aéreas, incluindo Virgin Atlantic, British Airways e Wizz Air, cancelaram ou desviaram voos para a região devido a questões de segurança.
A situação do programa nuclear iraniano permanece incerta após ataques a instalações chaves durante um conflito de 12 dias, que resultaram em danos significativos, mas não totais. O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, indicou que o Irã poderia retomar o enriquecimento em alguns meses.
No Irã, a reação aos ataques variou, com relatos de pânico em algumas áreas e alívio em outras, à medida que algumas pessoas veem a intervenção militar como uma oportunidade para a mudança de regime.
Enquanto alguns temem que os ataques aéreos não sejam suficientes para derrubar o regime, outros acreditam que a mudança é necessária, mesmo que implique em um custo elevado.
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