Estratégias de RH, dados e cultura: o caminho para a certificação Top Employers
O prêmio Top Employers 2026 alcançou um recorde histórico no Brasil, reconhecendo 75 empresas por suas práticas avançadas na gestão de pessoas. A celebração ocorreu em um jantar que reuniu CEOs, executivos e colaboradores na quinta-feira (26), no Um Rooftop, em São Paulo. Durante o evento, lideranças comentaram ao InfoMoney que o diferencial para a certificação reside na consistência das políticas de pessoas, no uso estratégico de dados e no fortalecimento da cultura organizacional. Este ano, o número de empresas certificadas superou os 73 reconhecimentos de 2025 e os 71 de 2024.
A certificação avalia mais de 250 práticas de recursos humanos, utilizando uma metodologia internacional orientada por dados. As dimensões analisadas incluem liderança, estratégia de pessoas, aprendizagem, diversidade, bem-estar, governança e sustentabilidade.
Segundo Adrian Seligman, CEO global do Top Employers Institute, o prêmio representa um modelo de melhoria contínua, onde as organizações utilizam diagnósticos comparáveis e benchmarks globais para evoluir anualmente.
“Não existe um único caminho para ser Top Employer. O que observamos são empresas encontrando suas próprias formas de se destacar, reter talentos e se preparar para o futuro”, afirma.
Raphael Henrique, gerente regional do instituto para a América Latina, ressalta que o prêmio “vai além de um selo”, refletindo práticas que se alinham a padrões internacionais de excelência.
“É um órgão global externo que valida que as práticas, políticas e experiências geradas para os colaboradores estão conectadas à excelência global”, destaca.
Desde a chegada do prêmio ao Brasil em 2011, quando apenas 16 empresas foram certificadas, o número cresceu para 75, evidenciando que investir em pessoas se tornou uma agenda estratégica para o crescimento dos negócios.
O que fizeram de diferente as empresas premiadas?
A diretora de Talento e Cultura da Nestlé, Izabel Azevedo, que atua na empresa há 27 anos, destaca que o diferencial está na personalização do desenvolvimento profissional.
“Utilizamos dados de RH para ter uma visão 360º das pessoas e oferecer oportunidades sob medida, como fazemos com nossos produtos”, explica.
A empresa promove a participação de profissionais em projetos em diferentes áreas, ampliando repertório e evitando a estagnação de carreira, o que contribui para a retenção de talentos.
A vice-presidente de Recursos Humanos para a América Latina da Aon, Adriana Zanni, afirma que o investimento contínuo em inclusão, diversidade e desenvolvimento de lideranças foram fundamentais na estratégia de pessoas.
Zanni menciona práticas diferenciadas de atração, seleção e acompanhamento de talentos, além de programas de mentoria intergeracional, conectando profissionais mais experientes a novos talentos.
“O diferencial está em tratar o talento como parte central da estratégia do negócio, de forma conectada ao que é melhor para nossos funcionários e clientes”, explica.
José Caetano Minchillo, gerente nacional de gestão de pessoas do Sebrae, relata que a certificação foi resultado de uma transformação interna. Com base nas referências do Top Employers, o Sebrae revisou suas políticas e práticas de RH, o que resultou em uma melhora expressiva nos indicadores de clima e engajamento.
“Saímos de cerca de 64 pontos para mais de 80 nas pesquisas de satisfação internas. Isso gerou pertencimento e reforçou o protagonismo das pessoas em suas carreiras”, afirma.
Minchillo também destacou avanços em diversidade, com metas claras de gênero na liderança e o aumento da participação de pessoas negras na instituição.
O CEO da Generali, Eric Lundgren, atribui o reconhecimento ao alto engajamento dos colaboradores e ao cuidado com a comunicação interna. A seguradora centenária utilizou a celebração de seus 100 anos para fortalecer identidade e conexão entre as equipes.
“Somos um negócio de pessoas para pessoas. Cuidar dos colaboradores é essencial para sustentar a empresa no longo prazo”, diz.
Entre as iniciativas, Lundgren destacou ações simbólicas e práticas de bem-estar que ajudaram a consolidar uma cultura de proximidade e reconhecimento.
A diretora de RH, Talentos, Cultura e Inclusão na América Latina da BAT, Monique Stony, observa que o reconhecimento é fruto de uma jornada de longo prazo. A BAT está certificada há 15 anos e, no último ciclo, foi reconhecida pela experiência do colaborador.
“Mapeamos toda a jornada, da entrada à saída, e criamos experiências marcantes nos momentos que realmente importam”, afirma.
Ela menciona processos de integração mais humanizados e iniciativas que reforçam pertencimento e engajamento.
O diretor de Recursos Humanos da TCS, Renato Sposito, destaca que, em uma empresa de tecnologia, o principal ativo é o conhecimento das pessoas. Por isso, a TCS investe fortemente em capacitação contínua, certificações e desenvolvimento para novas tecnologias.
“Colocamos as pessoas no centro da estratégia. Sem elas, uma empresa de serviços simplesmente não existe”, explica.
Sposito ainda ressalta programas de formação e empregabilidade em regiões menos favorecidas, como parte da responsabilidade social da companhia.
← Voltar para as notícias