Banco de Brasília

Estrago feito pelo escândalo Master no BRB pode ir para a conta de todos os brasileiros

Estragos do escândalo Master podem afetar todos os brasileiros

As finanças do Banco de Brasília (BRB) estão severamente impactadas pelos problemas originados no Banco Master. Controlado pelo Distrito Federal (DF), o BRB precisa reequilibrar seus ativos até o final de março, o que é essencial para evitar desequilíbrios que possam exigir uma revisão de sua posição financeira. Nos últimos dois trimestres, o banco não divulgou informações financeiras, algo que causa estranheza e levanta preocupações.

O Banco Central (BC) já estimou um rombo de R$ 5 bilhões no BRB, mas no mercado as projeções de perdas são ainda mais alarmantes. A liquidação extrajudicial do Master resultou na perda de clientes e, consequentemente, na diminuição da receita do banco. As alternativas para recuperar a situação incluem a venda de carteiras de menor risco e a injeção de ativos pelo governo do DF, além da possibilidade de federalização da instituição.

Nesta terça-feira (24), a reunião entre o presidente do BRB, Nelson de Souza, e o da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, pode ser crucial para encontrar uma solução que, caso implementada, transferirá parte dos custos do escândalo para todos os brasileiros. A Caixa tem R$ 10 bilhões disponíveis para ajudar a lidar com os problemas de liquidez do BRB. No entanto, essa ajuda pode colocar em risco a reestruturação já realizada pela Caixa.

Desafios financeiros do BRB pós-Master

As dificuldades enfrentadas pelo BRB são evidentes, especialmente após a operação que revelou o impacto do Master nas finanças estaduais, incluindo o DF. A definição das perdas do BRB é complexa e as estimativas de mercado variam entre R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões, uma diferença significativa em relação ao que foi calculado pelo BC. Isso evidencia a incerteza sobre a real extensão do problema.

Entre as medidas que a Caixa poderia considerar estão a compra de carteiras de maior risco do BRB, a formação de um consórcio de bancos para financiar a capitalização direta pelo DF, ou até mesmo parcerias em projetos específicos. Contudo, essa decisão é tomada com cautela, uma vez que o Master não foi o único a gerar escândalos relacionados ao BRB.

Em 2019, uma investigação da Polícia Federal (PF) apurou supostas fraudes envolvendo investimentos de fundos de previdência gerenciados pelo BRB em negócios imobiliários no Rio de Janeiro, que estavam ligados ao influenciador Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Figueiredo.

Nesta terça (24), também estava previsto um depoimento do ex-proprietário do Master, Daniel Vorcaro, ao Senado. Até o último momento, sua presença não estava confirmada, e a possibilidade de ele não comparecer novamente levanta questionamentos sobre sua situação atual, especialmente em relação ao seu jato particular, que supostamente deveria ter sido apreendido pela PF no ano passado.

Leia mais na coluna de Marta Sfredo.


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