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Espresso Outliers: Além das previsões, como ciclos de juros influenciam investimentos

Espresso Outliers: Como ciclos de juros influenciam investimentos

03/03/2026 19h34

Atualizado há 7 minutos

Apesar da queda superior a 3% na Bolsa nesta terça-feira (3), em decorrência do conflito entre EUA, Irã e Israel, o Ibovespa ainda mostra uma valorização de cerca de 14% em 2026 e quase 50% em 12 meses, superando o CDI, atualmente em 15% ao ano. Esse desempenho se dá antes do primeiro corte da taxa Selic ser anunciado.

A análise do estrategista-chefe e Head de Research da XP, Fernando Ferreira, revela um padrão recorrente nos ciclos monetários: o mercado tende a se antecipar às decisões oficiais de política monetária. Aqueles que aguardam a confirmação do corte para se posicionar costumam perder a maior parte da valorização.

“O investidor que ficou esperando o CDI e a Selic caírem para migrar para a renda variável acabou perdendo essa alta toda”, comentou Ferreira. Ele destacou que os investidores brasileiros mantêm uma alocação na bolsa próxima das mínimas históricas, em torno de 5% a 6% do portfólio em renda variável — níveis bastante baixos.

A análise foi apresentada no programa Espresso Outliers, conduzido pela analista de fundos Clara Sodré, que nesta edição discutiu o impacto dos ciclos de juros sobre os ativos de risco e as oportunidades durante as transições monetárias. Também participou do episódio Marx Gonçalves, Head de Fundos Listados do Research da XP.

Enquanto o investidor local permanece cauteloso, o capital estrangeiro continua a fluir de maneira acelerada. Ferreira informou que, em 2026, antes do início do conflito no Oriente Médio, já foram registrados mais de R$ 42 bilhões em investimentos internacionais na Bolsa brasileira, um montante que supera os R$ 25 bilhões de todo o ano de 2025.

O dólar subiu quase 2%, atingindo R$ 5,26, a maior alta do ano devido à escalada do conflito no Irã.

Para o estrategista da XP, a entrada de capital estrangeiro é impulsionada por uma combinação de fatores. “O investidor estrangeiro está atento ao valuation e ao preço acessível das ações brasileiras, mesmo após esse rally”, explicou Ferreira. Ele ressaltou que a Bolsa brasileira continua sendo uma das mais baratas do mundo, o que atrai fundos globais.

Além da expectativa de queda de juros no Brasil — com o primeiro corte previsto para março —, Ferreira observou que o calendário eleitoral na América Latina torna a região ainda mais atrativa. As eleições presidenciais no Chile, Argentina, Colômbia e Brasil, agendadas para outubro, estão no radar dos investidores internacionais.

A exposição da região a commodities, que voltaram a ganhar destaque globalmente, também aumenta o apetite por ativos latino-americanos.

“Estamos assistindo a um grande interesse na América Latina devido à sua produção robusta de commodities”, acrescentou Ferreira. Ele enfatizou a importância de manter uma carteira diversificada, respeitando o perfil de risco, sem tentar prever qual ativo será o mais rentável.

No contexto dos fundos imobiliários, o cenário também é promissor. Marx Gonçalves afirmou que o ano começa com uma visão positiva para os FIIs, impulsionada pela expectativa de queda da Selic e pela recente redução na curva de juros futura.

“A queda dos juros futuros é fundamental para o investidor de fundos imobiliários, pois essas taxas determinam o valor justo dos fundos”, explicou Gonçalves. Quando os juros futuros diminuem, os ativos são reprecificados positivamente, e a queda da taxa básica leva investidores a aumentar a exposição à renda variável, incluindo os FIIs, resultando em um fluxo adicional de recursos.

Apesar da valorização expressiva do IFIX em 2025, que teve um retorno total em torno de 21%, Gonçalves destacou que os fundos imobiliários ainda apresentam desconto médio relevante em relação ao valor patrimonial. “Todos os segmentos estão abaixo do valor patrimonial e, além disso, também abaixo das médias históricas”, afirmou.

Os fundamentos setoriais sustentam o otimismo. Segundo Gonçalves, as taxas de ocupação dos imóveis estão aumentando, os aluguéis estão subindo e, em casos específicos, há correções acima da inflação. Esse conjunto de fatores melhora os resultados operacionais dos fundos e tende a se refletir, ao longo do tempo, em um aumento nas distribuições de rendimentos.


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