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Especialistas pedem revisão de decisão judicial que permite o abate de jumentos

Especialistas pedem revisão de decisão judicial sobre abate de jumentos

Uma carta aberta de cientistas solicita a suspensão imediata do abate de jumentos, ressaltando riscos de extinção, maus-tratos e inviabilidade econômica.

A situação dos jumentos no Brasil é alarmante, com uma diminuição de 94% da população entre 1996 e 2024, principalmente devido ao abate para exportação de couro para a China. Embora decisões judiciais tenham interrompido a prática, o abate foi retomado com respaldo de uma recente decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que priorizou aspectos econômicos locais.

Pesquisadores de diversas instituições, como USP, Unesp e UFBA, expressaram suas preocupações em uma carta aberta. Eles argumentam que o abate é inviável economicamente, insustentável ambientalmente e inconstitucional, desafiando a legislação brasileira que protege espécies ameaçadas.

O abate de jumentos, que são usados na produção de couro e carne, foi intensificado pela crescente demanda do mercado chinês por ejiao, um produto feito a partir do colágeno do couro. A situação é ainda mais crítica, pois a maioria dos jumentos abatidos é capturada da natureza, tornando a taxa de reposição da espécie extremamente baixa.

Os cientistas destacam que não existe uma cadeia produtiva organizada para o abate de jumentos, ao contrário do que ocorre com a pecuária bovina. A captura indiscriminada, somada a uma taxa reprodutiva baixa, coloca a espécie em um estado de vulnerabilidade.

Além disso, os dados revelam que a contribuição do abate de jumentos para a economia nacional é praticamente insignificante, representando menos de 0,000003% das exportações brasileiras. Municípios que abrigam abatedouros de jumentos, como Amargosa (BA), não apresentaram crescimento econômico durante a operação desses locais.

Pesquisadores também alertam para problemas de saúde nos jumentos destinados ao abate, indicando falhas no controle sanitário que podem representar riscos à saúde pública.

A carta conclui que o abate de jumentos é uma atividade predatória e de curto prazo, com um colapso previsível e já em curso. Os especialistas pedem que o jumento nordestino seja reconhecido como um patrimônio genético, cultural e ambiental, além da criação de políticas públicas para a conservação da espécie.


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