PCC Especial Presídios - A história das facções criminosas ...

Especial Presídios - A história das facções criminosas ...

Especial Presídios: A História das Facções Criminosas Brasileiras

Na reportagem especial de hoje, exploramos a trajetória das facções criminosas no Brasil, que, se não forem controladas, podem se tornar tão ameaçadoras quanto as organizações mafiosas.

Amigos dos Amigos, Comando Vermelho, Terceiro Comando, Primeiro Comando da Capital, Primeiro Comando Mineiro, Paz, Liberdade e Direito e Comando Norte/Nordeste são alguns dos nomes de facções que operam em diversas regiões do país. O crescimento do crime organizado no Brasil é evidente, e acompanhar as notícias já é suficiente para perceber essa tendência. No entanto, compreender as razões por trás do fortalecimento dessas facções, especialmente entre Rio e São Paulo, é um desafio.

Dados sobre crime organizado no Brasil são escassos. Embora não existam estatísticas precisas sobre o montante financeiro que essas facções movimentam, é sabido que os valores envolvidos são astronômicos.

O PCC, por exemplo, foi responsável por rebeliões e ataques que resultaram em mais de uma centena de mortes em São Paulo. Em 2001, a facção promoveu rebeliões em mais de 20 presídios, e no ano seguinte, em sete penitenciárias.

Fundado em 1993, o grupo surgiu de um time de futebol na Casa de Custódia de Taubaté, que era vista como a prisão mais segura do estado. Os principais objetivos eram reagir ao massacre do Carandiru, em 1992, e reivindicar melhores condições para os detentos. Atualmente, o PCC possui até um estatuto próprio.

Outra facção importante é o Comando Vermelho, que se originou de membros da antiga Falange Vermelha, uma organização que lutava contra torturas e maus-tratos nos anos 70. Hoje, é notório pelo controle do tráfico de drogas no Rio de Janeiro.

Robson Robin da Silva, diretor do departamento de Políticas, Programas e Projetos da Secretaria Nacional de Segurança Pública, atribui o crescimento das facções a falhas no sistema prisional. Ele destaca que os presos, ao entrarem no sistema, muitas vezes estão desassistidos e buscam pertencimento, encontrando no crime uma forma de se conectar. A falta de um sistema prisional adequado acaba por intensificar essa situação.

O sociólogo Ignacio Cano, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, aponta que as facções surgem dentro das prisões como uma forma de reivindicar melhores condições. A união entre os presos é uma questão de proteção, onde eles pagam por segurança através de mensalidades e serviços. Cano acredita que a organização dos presos não é, em si, um problema, mas a ligação com redes criminosas externas é preocupante.

Enquanto as facções do Rio de Janeiro estão principalmente envolvidas com o tráfico de drogas, as de São Paulo focam mais em roubos. Cano também observa que, apesar de algumas semelhanças, não é possível comparar o crime organizado brasileiro com organizações internacionais, como a máfia italiana, já que a estrutura das facções brasileiras é mais eficaz dentro das prisões.

O sociólogo ressalta que, embora a violência política não seja uma aspiração das facções, existe um receio de que a exclusão social conduza a uma situação semelhante à da Colômbia. Contudo, ele acredita que os grupos criminosos no Brasil não têm um projeto político e visam apenas o lucro.

Para combater o crime organizado, Cano defende que não basta eliminar líderes como Marcos Camacho, o Marcola, ou Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. É essencial desvendar lideranças superiores que facilitam a continuidade do crime no país.

Amanhã, na próxima reportagem especial, serão investigados os possíveis abusos e desrespeitos aos direitos humanos durante a resposta policial aos ataques em São Paulo.

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