Banco Master.

Escândalo do Master envolveu 'alinhamento perverso', diz presidente interino da CVM

Escândalo do Banco Master

O presidente interino da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), João Accioly, declarou que o escândalo do Banco Master envolveu um "alinhamento perverso de incentivos entre gestores e investidores", caracterizando o que ele chamou de ficção contábil.

Accioly afirmou que os investidores eram enganados por uma aparência de solidez que permitia a emissão de CDBs (Certificados de Depósito Bancário), mesmo sem a real robustez financeira.

A defesa de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, contestou essa afirmação, alegando que as investigações não apresentam provas definitivas de irregularidades e ressaltando a importância da isenção por parte das autoridades.

Durante sua fala na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Accioly defendeu a atuação da CVM, explicando que a supervisão é baseada em risco, priorizando cotistas individuais em detrimento de fundos exclusivos. Ele também afirmou que a atuação da CVM depende de denúncias de investidores, e não houve omissão da autarquia no caso Master.

Accioly destacou que as fraudes tinham uma peculiaridade estrutural, pois os investidores, na maioria das vezes, eram promotores ativos do superdimensionamento dos ativos. Ele enfatizou que cada fraude exige uma melhoria dos métodos de combate e que a CVM deve aprimorar a comunicação das ações tomadas.

A operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro, foi citada como um exemplo da atuação da CVM, a qual foi acionada após denúncias de irregularidades. As primeiras suspeitas relacionadas ao Master surgiram em 2017, quando ainda era conhecido como Máxima.

Atualmente, a CVM possui cerca de 200 processos em andamento relacionados ao Banco Master, e Accioly se comprometeu a enviar mais informações à CAE. Em relação ao Banco de Brasília (BRB), há 24 processos abertos para investigar possíveis conexões.

O presidente da CAE, Renan Calheiros, solicitou uma avaliação sobre a atuação de Otto Lobo, indicado para a presidência da CVM. Accioly mencionou decisões unânimes entre diretores em casos envolvendo o Master e a Ambipar, que levantaram suspeitas no TCU (Tribunal de Contas da União).

Por fim, a CVM reabriu investigações sobre uma possível manipulação no preço das ações da Ambipar, que teve uma valorização acentuada nos últimos meses, analisando se houve envolvimento irregular de fundos associados ao Master.


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