Crime organizado

Escândalo do Banco Master mostra o que é crime organizado de verdade, diz relator de CPI

Escândalo do Banco Master revela a verdadeira face do crime organizado, afirma relator de CPI

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou que o caso do Banco Master exemplifica claramente o que realmente significa crime organizado. Em entrevista ao programa Roda Viva, ele criticou a dificuldade em obter medidas contra ministros do STF, ressaltando a necessidade de derrubar as "barreiras de blindagem" que facilitam a quebra de sigilo de outros cidadãos, enquanto tornam esse processo complicado para figuras do Judiciário.

Na semana anterior, após esforços na CPI, Vieira conseguiu a aprovação da quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático de uma empresa relacionada ao ministro Dias Toffoli, que está envolvido no escândalo. Além disso, a comissão convocou dois irmãos de Toffoli para depor, mas essas medidas foram posteriormente barradas pelo próprio Supremo.

O senador destacou que há diferenças significativas entre os casos. Ele apontou que as decisões que isentam de comparecimento ao depoimento são justificáveis, pois respeitam direitos de defesa. Contudo, as suspensões das quebras de sigilo, como a feita pelo ministro Gilmar Mendes, foram classificadas por ele como um "atentado violento contra a democracia".

Em contraste, a CPMI do INSS conseguiu aprovar a quebra do sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Vieira, essa diferença se deve às "barreiras de blindagem" que envolvem o STF, além do clima eleitoral que permeia as investigações sobre desvios no INSS.

A CPI, que originalmente deveria investigar facções criminosas, acabou se voltando para o escândalo do Banco Master. Sobre a relação de Toffoli com a investigação, o senador afirmou que a lavagem de dinheiro é o ponto de conexão entre todos os crimes, descrevendo o Banco Master como uma "grande lavanderia" que facilitou atividades de facções, milícias, narcotráfico e corrupção.

Vieira também criticou a perda de uma oportunidade de fortalecer o combate ao crime organizado com o projeto de lei antifacção, que após sua aprovação no Congresso, acabou por beneficiar criminosos de colarinho branco. Ele lamentou que o PL foi modificado na Câmara, focando mais na criminalidade violenta do que na lavagem de dinheiro, resultando em um texto que não atendeu adequadamente às necessidades da sociedade.

O projeto, inicialmente redigido pelo governo, passou por várias alterações, com o ex-policial Guilherme Derrite como relator na Câmara. Ao chegar ao Senado, Vieira assumiu a relatoria e fez modificações, mas na volta aos deputados, novas mudanças foram feitas, as quais ele criticou duramente, especialmente a remoção do combate a máfias de apostas ilegais e de combustíveis.

O senador finalizou dizendo que é mais conveniente para os políticos adotar a narrativa de que "bandido bom é bandido morto", em vez de enfrentar as complexidades do crime organizado.


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