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Escalada de tensão no Irã redesenha cenário de inflação e juros no Brasil?

Escalada de Tensão no Irã e Seus Efeitos na Economia Brasileira

02/03/2026 14h57
Atualizado 15 minutos atrás

A recente ação militar dos Estados Unidos e Israel contra o Irã levantou preocupações sobre os efeitos diretos na economia do Brasil. O principal temor é o risco de um choque na oferta de energia, especialmente considerando que o Estreito de Ormuz — responsável por cerca de 20% do petróleo e gás natural do mundo — está enfrentando interrupções.

Esse panorama pode afetar os preços no Brasil, mantendo a inflação elevada em um momento em que o Banco Central está se preparando para iniciar um ciclo de cortes de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), programada para 17 e 18 de março.

Efeito em Cadeia da Cotação do Petróleo

A avaliação da XP sobre a situação é de que o ataque dos EUA ao Irã abriu uma "caixa de pandora", criando um cenário caótico cujo impacto futuro dependerá da duração e extensão do conflito, ambas ainda incertas. A plataforma de apostas Polymarket indica que cerca de dois terços dos apostadores acreditam que a situação será resolvida até março e mais de 70% até o final de abril.

Impacto no Mercado e na Inflação

Segundo Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, o clima atual é de aversão ao risco. Ele explica que o dólar está se valorizando, não apenas em relação ao real, mas em comparação a outras moedas.

Esse fortalecimento do dólar, aliado ao aumento do preço das commodities, gera uma pressão dupla sobre a inflação interna. A XP estima que, para cada elevação de US$ 10 no preço do barril de petróleo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode aumentar cerca de 40 pontos-base em 2026.

O cenário-base da XP considera um barril a US$ 60, elevando a inflação para 3,8%. Se o preço subir para US$ 70, a inflação projetada é de 4,2%. Com um barril a US$ 80, a inflação pode chegar a 4,5%.

Para o JPMorgan, o barril pode alcançar entre US$ 100 e US$ 120 se o Estreito de Ormuz permanecer bloqueado por três semanas.

Limites de Segurança para a Inflação

Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, afirmou que o limite seguro para a inflação no Brasil é um barril a até US$ 85. Ele destacou que, enquanto o preço oscilar entre US$ 75 e US$ 85, não haverá pressão inflacionária significativa. Ceron também mencionou que essa análise é válida apenas em um contexto de incerteza controlável, não se referindo a um cenário onde o barril ultrapasse US$ 100.

Consequências de Preços Elevados do Petróleo

Caso o preço do barril ultrapasse US$ 100, Paulo Vicente, especialista em estratégia e professor da Fundação Dom Cabral (FDC), acredita que o conflito pode levar de uma a duas semanas para impactar a economia brasileira.

Vicente observa que, mesmo que a alta do petróleo não se reflita imediatamente na economia, a percepção de instabilidade pode influenciar as decisões do Copom. Ele alerta que, se a situação for considerada complicada, isso pode afetar o planejamento de cortes de juros.

Ceron também comentou que, embora a situação atual não deva afetar o início do ciclo de cortes de juros, pode levar o Banco Central a interromper o fluxo antes do que o mercado espera.

Possíveis Impactos no Copom

Fabiano Zimmermann, da ASA, acredita que o conflito no Oriente Médio não deve alterar os planos do Banco Central para iniciar cortes de juros em março. Leonardo Costa, economista da ASA, ressalta que o impacto dependerá da duração e intensidade do conflito. Ele explica que a política de preços da Petrobras pode atrasar o repasse da alta internacional nos combustíveis.

Zimmermann também adverte que, se a crise se prolongar, as repercussões podem interromper a valorização do real e alterar o patamar dos preços do petróleo, limitando o ciclo de flexibilização monetária. Essa situação já começa a ser refletida na curva de juros.

Lilian Linhares, da Rio Negro Family Office, destaca que, embora o Copom tenha uma visão de longo prazo, a guerra pode tornar o discurso do Banco Central mais cauteloso, possivelmente reduzindo a magnitude dos cortes.

No aspecto fiscal, a alta do petróleo pode trazer um aumento nas receitas. A XP estima que um acréscimo de US$ 10 no preço do Brent pode gerar um ganho de R$ 10,7 bilhões em receitas fiscais líquidas para o Brasil, provenientes de royalties e dividendos da Petrobras.


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