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Entenda como EUA usam inteligência artificial em guerra com Irã

EUA e a Utilização de Inteligência Artificial em Conflitos com o Irã

A guerra entre os Estados Unidos e o Irã representa um marco na adoção de tecnologias avançadas em cenários bélicos. Os EUA estão implementando ferramentas de inteligência artificial para realizar ataques, focando especialmente no planejamento e na identificação de alvos estratégicos.

Em entrevista à CNN Brasil, o especialista em tecnologia e inovação, Arthur Igreja, comentou que este conflito é o primeiro grande evento militar em que a inteligência artificial, amplamente disseminada, demonstra uma diferença substancial. "Ela é utilizada principalmente no planejamento, na identificação de alvos e no processamento de informações", destacou Igreja.

Igreja sublinhou que as imagens capturadas durante operações militares geram uma quantidade imensa de dados, que, ao serem processados por IA, podem oferecer pistas sobre alvos futuros, capacidades instaladas e prever possíveis reações. "É possível até mesmo antecipar o que pode ocorrer e sugerir respostas a um ataque", explicou.

O especialista também mencionou a recente polêmica envolvendo a empresa americana Anthropic e o Pentágono. A companhia, que firmou um contrato de US$ 200 milhões com o governo americano em 2024, se negou a disponibilizar sua tecnologia para armas totalmente autônomas.

"A principal restrição era a aplicação da inteligência artificial em armamentos autônomos, uma vez que a empresa alegava que isso nunca foi testado e que a IA poderia cometer erros", detalhou o especialista. A preocupação da Anthropic era que sistemas automatizados pudessem, por exemplo, "atacar a pessoa errada ou atingir um civil", ressaltou Igreja.

A recusa gerou reações do ex-presidente Donald Trump, que ameaçou não apenas rescindir o contrato, mas também incluir a Anthropic na lista de "supply chain risk", onde, segundo Igreja, seria a primeira vez que uma empresa americana estaria na referida lista.

Apesar da controvérsia, o especialista afirmou que a tecnologia da Anthropic foi fundamental na operação atual contra o Irã. "Fontes indicam que ela foi crucial para a compreensão dos riscos e o mapeamento de alvos", disse.

Igreja esclareceu que, mesmo com a possível rescisão do contrato, a empresa reconheceu que levaria cerca de seis meses para retirar suas ferramentas do uso militar.

O caso suscita importantes questões sobre a regulamentação da inteligência artificial. "O tema da regulamentação, que, claro, assusta muitas pessoas, nada mais é do que estabelecer um marco, como as coisas devem funcionar", comparou Igreja, fazendo uma analogia com leis de trânsito. "Imagine se cada um pudesse dirigir como quisesse, na velocidade que desejasse; o caos que isso geraria."

A aplicação da IA em conflitos armados estabelece um novo paradigma na guerra moderna, somando-se a outras tecnologias, como drones e ciberataques, que já se tornaram elementos fundamentais nas estratégias militares contemporâneas.


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