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"Enganar o bobo do venture capital" e possível fraude financeira: o conflito entre fundadores da Agrolend que foi parar na Justiça

Conflito na Agrolend: Fundadores em Disputa Judicial

O ano de 2025 trouxe boas notícias para a agfintech Agrolend, que anunciou a conclusão de uma rodada de captação de US$ 56 milhões. Iniciada em 2024, essa captação contou com a participação da JICA, agência de cooperação do governo japonês. Ao final do ano, a empresa celebrou a marca de R$ 600 milhões em sua carteira, apesar de um cenário desafiador para o crédito no agronegócio.

Entretanto, por trás dos holofotes, a empresa enfrentava tensões internas. O portal NeoFeed revelou, em reportagem publicada em 27 de fevereiro, que conflitos entre os sócios fundadores resultaram em um imbróglio jurídico, com alegações de fraude e exposição de investidores.

Documentos do Tribunal de Justiça de São Paulo mostram o embate entre Valéria Fontana Bonadio Bittencourt, responsável pelas áreas de risco e compliance, e os irmãos Alan e André Glezer. Embora os autos estivessem sob segredo de justiça, o desembargador Grava Brazil decidiu levantar o sigilo.

Nos registros, Valéria afirma ter sido alvo de um processo de minoração de suas funções, com a retirada de atribuições e restrição de acesso a informações cruciais, mesmo continuando na empresa. Segundo ela, decisões importantes foram tomadas sem o devido consentimento.

A reportagem incluiu um áudio de uma reunião de 21 de fevereiro de 2025, em que André Glezer expressou que a Agrolend havia "maquiado" os números de 2024. Ele questionou se a empresa tinha um valor real que superasse o capital levantado até então, insinuando que os investidores de venture capital foram enganados ao acreditar em um sonho.

André também mencionou a possibilidade de um futuro IPO, afirmando que "enganar o bobo do venture capital" é uma coisa, mas vender para uma instituição financeira seria um desafio maior.

O grupo de investidores da Agrolend inclui nomes relevantes do venture capital nacional e internacional, como SP Ventures, Valor Capital Group, Continental Grain Company, entre outros.

A reunião que gerou as declarações controversas começou com a comunicação de uma nova área jurídica de negócios, surpreendendo Valéria, que não foi consultada sobre a nova liderança.

O diálogo rapidamente se direcionou para a saída de Valéria, com os irmãos Glezer buscando um valor pelas ações que ela detinha.

André destacou que, ao longo de quatro anos, a empresa não havia gerado lucro, afirmando que "a empresa só existe para dar lucro acima do custo de capital".

Fundada em 2020, Valéria ressaltou que o valor econômico gerado era próximo de zero, sugerindo que as captações ocorreram porque os investidores "compraram um sonho".

Para melhorar os resultados, André sugeriu que a empresa precisaria trabalhar intensamente, "pisando em zonas cinzentas" para alcançar o sucesso.

Os documentos indicam que a exclusão de Valéria começou após a reunião, com o bloqueio de seu e-mail corporativo e o corte de acesso aos sistemas internos. No dia 7 de março, ela recebeu uma notificação extrajudicial informando sua remoção dos cargos no grupo.

A Agrolend e os irmãos Glezer se manifestaram, afirmando que a controvérsia se referia a uma demanda infundada e que os atos societários foram devidamente reconhecidos pela Justiça.

Valéria, por sua vez, declarou que sua posição está documentada nos autos e confia que o Judiciário restabelecerá a verdade.

A disputa entre os fundadores expõe tensões de governança em meio ao crescimento da fintech, levantando questões sobre a integridade das operações e a transparência com os investidores.


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