Empresa usada por “Careca do INSS” pagou R$ 700 mil a ministra do STM Vídeo
Uma empresa vinculada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, transferiu R$ 700 mil ao escritório da ministra Verônica Abdalla Sterman, do Superior Tribunal Militar (STM). O valor é mencionado em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que foram enviados à CPMI do INSS.
Conforme o RIF, o pagamento oriundo da ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A ocorreu entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, ou seja, antes da posse de Verônica como ministra do STM.
A advogada de 41 anos foi nomeada pelo presidente Lula (PT) em setembro do ano passado.
Sterman já prestou serviços a figuras políticas como a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo (PT), além do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), todos que apoiaram sua indicação. Em 2024, já havia apoio de Gleisi e Alckmin para a nomeação de Verônica como desembargadora do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), em São Paulo.
O pagamento foi realizado por meio de uma conta da ACX no Banco do Brasil, localizada em São Caetano do Sul (SP), que movimentou mais de R$ 266,6 milhões durante os quatro meses analisados.
Além disso, a ACX ITC também pagou R$ 595 mil ao escritório do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nefi Cordeiro, após ele deixar a Corte, mas não foram encontrados registros de defesa por parte dele à ACX ITC. Em nota, Nefi disse que os valores foram por serviços advocatícios.
Verônica afirmou que o pagamento diz respeito a três pareceres jurídicos sobre questões criminais relacionadas às atividades da empresa e desconhece qualquer associação da ACX ITC com o “Careca do INSS”.
A ACX ITC foi fundada por Ericsson de Azevedo e Erika Nogueira Marques da Costa, ambos de São Paulo. Durante a pandemia, os dois receberam o Auxílio Emergencial e Erika foi beneficiária do Bolsa Família entre 2014 e outubro de 2021. Enquanto recebia o benefício, Erika registrou na Junta Comercial ser proprietária de metade da empresa, avaliada em mais de R$ 50 milhões, antes de ser substituída.
Documentos indicam que a ACX ITC, criada em dezembro de 2021, possui um capital de R$ 101,2 milhões e, segundo a Polícia Federal, era uma das empresas utilizadas pelo Careca para dificultar o rastreio dos seus recursos.
A ACX ITC teve seu sigilo fiscal quebrado pela CPMI do INSS após receber R$ 4,4 milhões da Arpar Participações e Empreendimentos, pertencente a Careca. A Arpar era usada para dispersar dinheiro entre várias empresas, dificultando o rastreamento de recursos.
Apesar do capital, a presença online da ACX ITC é limitada a uma página no Instagram, que não é atualizada desde abril de 2023, e um site fora do ar.
A empresa enfrenta poucos processos, incluindo um da advogada Fernanda Teixeira de Souza, que em 2022 investiu R$ 780 mil na ACX ITC. Desde fevereiro de 2023, ela não conseguiu acessar o site da empresa para resgatar seu investimento, alegando ter sido enganada em uma operação que envolvia o RCX Group, alvo de investigações na CPI das Pirâmides Financeiras.
A coluna não obteve retorno dos responsáveis pelo RCX Group.
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