Em voto, Moraes diz que Marielle estava “peitando os interesses” da milícia
Moraes destaca que Marielle desafiava interesses de milicianos
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou que a ex-vereadora Marielle Franco (Psol-RJ), assassinada em 2018, estava “peitando os interesses de milicianos” no momento de seu homicídio. A declaração foi feita durante uma sessão da Primeira Turma do Supremo que avalia os envolvidos no caso.
Durante seu voto, Moraes mencionou a delação do ex-sargento Ronnie Lessa, responsável pela morte da vereadora. Ele destacou que os mandantes não demonstravam preocupação com a repercussão do crime.
“Marielle era uma mulher preta e pobre que estava peitando os interesses de milicianos [...] Na cabeça misógina e preconceituosa de mandantes e executores, quem iria ligar para isso? Uma cabeça de 100 anos, 50 anos atrás: ‘Ah, vamos eliminá-la e isso não terá repercussão’”, declarou o magistrado.
Dentre os acusados de encomendar o assassinato de Marielle, encontram-se os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão. Na época do crime, Domingos ocupava o cargo de conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) e Chiquinho era vereador na capital fluminense.
A denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria Geral da República) aponta que os irmãos teriam solicitado o assassinato da vereadora devido a interesses econômicos relacionados à regularização fundiária em áreas da zona oeste do Rio, controladas por milícias. Marielle tinha conflitos políticos com os irmãos em relação a projetos de regularização urbana e uso do solo.
Além de Marielle, o motorista Anderson Gomes, que estava com ela no momento do crime, também foi morto. A PGR alega que os homicídios foram cometidos com a promessa de recompensa aos executores e com o intuito de proteger negócios imobiliários irregulares.
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