infomoney

“Em cinco anos, cripto não será nosso negócio principal”, diz CEO da Bitget

CEO da Bitget projeta futuro do mercado cripto

28/02/2026 05h00
Atualizado 2 dias atrás

O setor financeiro tradicional e o mundo das criptomoedas estão se aproximando de uma convergência trilionária. Corretoras globais estão se preparando para integrar grandes volumes do mercado de ações, incluindo a Bitget, liderada pela chinesa Gracy Chen.

Classificada como a sexta maior exchange do mundo pelo CoinMarketCap, a Bitget aposta na "estratégia UEX (Universal Exchange)", um plano voltado para facilitar a migração de ativos do mundo real (RWA) para o ambiente blockchain. O objetivo é oferecer não apenas criptomoedas, mas uma combinação de ativos tradicionais e digitais.

Gracy Chen projeta que, até 2030, cerca de 40% das negociações globais de ações poderão ser realizadas por meio de plataformas cripto. Em uma entrevista ao InfoMoney, ela destacou a visão da corretora sobre um futuro em que as bolsas de valores operem com tecnologia blockchain.

A tokenização será a chave para essa transformação, segundo Chen. Essa abordagem permitirá que empresas registrem ações em uma blockchain, facilitando a negociação em um ambiente digital, semelhante ao das criptomoedas. Além disso, a tokenização possibilita a fragmentação de ativos em partes digitais.

Chen acredita que essa mudança poderá gerar um fluxo de US$ 32 a US$ 80 trilhões migrando para o mercado cripto, à medida que a tokenização se torna uma prática comum. Para capturar essa liquidez antes das instituições tradicionais, a Bitget desenvolveu a UEX, reconhecendo que o negócio puramente cripto está perdendo espaço em face do crescimento dos ETFs e grandes fundos.

A CEO enfatiza que a ideia de Universal Exchange surgiu da percepção de que o mercado de exchanges de criptomoedas está encolhendo, enquanto os RWAs estão em ascensão.

Na entrevista, Gracy Chen também discutiu a evolução do investidor brasileiro, a parceria com Lionel Messi e as expectativas em relação ao preço do Bitcoin diante da atual instabilidade macroeconômica.

InfoMoney: Quais foram os maiores desafios enfrentados pela Bitget desde sua nomeação como CEO?

Gracy Chen: Nos últimos anos, o ambiente para exchanges tem sido desafiador. Assumi a liderança após a aprovação dos ETFs de Bitcoin pela SEC, o que ampliou a oferta de criptomoedas por corretoras tradicionais. Muitos investidores preferem ETFs a exchanges, reduzindo a participação do mercado de cripto.

IM: Qual é a resposta da Bitget a essa situação?

GC: Estamos focando em branding, produtos e na construção de confiança, além de expandir nosso portfólio para incluir mais classes de ativos, como Forex e ações tokenizadas.

IM: Você acredita que as exchanges de criptomoedas enfrentarão dificuldades?

GC: Não creio que as exchanges desaparecerão, mas as que se concentrarem apenas em cripto terão que adotar mais compliance e integrar RWAs.

IM: Como você vê a previsão de que até 2030, 40% das negociações de ações possam acontecer em infraestrutura cripto?

GC: Isso dependerá de tendências como o aumento do uso de stablecoins e a digitalização das plataformas financeiras tradicionais. Com a entrada de grandes bolsas, o mercado tokenizado pode crescer exponencialmente.

IM: Como a Bitget planeja capturar uma parte desse mercado?

GC: Atualmente, somos o principal distribuidor da Ondo, que lidera o mercado de ações tokenizadas. Acreditamos que, em alguns anos, o foco da Bitget se deslocará da cripto pura para ativos tradicionais.

IM: O Brasil é um mercado prioritário para a Bitget?

GC: Sim, estamos focados no Brasil e acreditamos que em breve haverá a oferta de ações tokenizadas.

IM: Como você compara a maturidade do investidor brasileiro com outras regiões?

GC: O Brasil se assemelha mais à Europa e ao Leste Asiático em termos de atividade financeira e interesse em ações americanas.

IM: A parceria com Lionel Messi trouxe resultados tangíveis?

GC: A colaboração foi bem-sucedida, especialmente durante a Copa do Mundo de 2022, aumentando significativamente o reconhecimento da marca.

IM: Como o investidor da Bitget reagiu ao recente crash do Bitcoin?

GC: Observamos reações diversas; alguns vendem em pânico, outros compram na baixa. O Bitcoin está intimamente ligado à macroeconomia, e, embora o curto prazo seja incerto, tenho fé em seu potencial a longo prazo.


← Voltar para as notícias