Economia do Brasil deve desacelerar em 2026 com exterior e eleições, dizem analistas
Expectativas de Desaceleração Econômica no Brasil em 2026
03/03/2026 14h17
A economia brasileira enfrenta previsões de desaceleração para 2026, em meio a um cenário de incertezas geopolíticas crescentes e uma eleição presidencial polarizada. Esse panorama se segue a um crescimento no ano anterior, que foi o mais fraco em cinco anos.
Analistas acreditam que a atividade econômica poderá mostrar um desempenho mais robusto no primeiro semestre, impulsionada pela agropecuária e iniciativas do governo. No entanto, a expectativa é de que essa força diminua na segunda metade do ano, semelhante ao que ocorreu em 2025, quando a economia cresceu 2,3%, conforme dados do IBGE.
Apesar de o Brasil poder se beneficiar, de certa forma, das incertezas geopolíticas geradas pelo conflito no Oriente Médio, consumidores, governo e o Banco Central tendem a adotar uma postura mais cautelosa.
Antonio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, ressalta que a incerteza é um tema predominante e que a falta de previsibilidade intensifica essa cautela. Ele projeta um crescimento do PIB em 2026 de 1,9%.
A atenção agora se volta para os efeitos das ações dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que levantam preocupações sobre a interrupção no fluxo de petróleo e gás e seu impacto na inflação.
Por um lado, essa situação pode favorecer o Brasil, especialmente em relação à balança comercial, que depende fortemente das exportações de produtos agrícolas e petróleo. Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, destaca que, em um cenário de tensão, o Brasil poderia se tornar um fornecedor importante, especialmente com um câmbio mais depreciado.
Entretanto, o aumento nos preços do petróleo também pode impactar a inflação interna. Benedito alerta que, se o preço do barril ultrapassar US$95, isso pode ocorrer em caso de uma interrupção significativa no Estreito de Ormuz.
Nesta terça-feira, os preços do petróleo tipo Brent subiam cerca de 7%, alcançando US$83,44 o barril, após ter atingido o maior valor desde julho de 2024.
As expectativas entre economistas e investidores são de que o Banco Central comece a reduzir os juros na reunião programada para os dias 17 e 18 de março, após manter a Selic em 15% em janeiro. Embora o conflito no Oriente Médio não tenha alterado essa perspectiva, a cautela aumentou e pode afetar a velocidade e a magnitude do afrouxamento.
Andrés Abadía, economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics, observa que uma escalada do conflito pode obscurecer as previsões, adicionando pressão inflacionária no início do ciclo de afrouxamento. Ele estima uma expansão do PIB em 2026 de 1,8%.
Com um início de ano promissor, impulsionado pelo setor agro e estímulos governamentais, a economia deve mostrar sinais de enfraquecimento no segundo semestre, particularmente devido ao clima eleitoral. Rafael Perez, economista da Suno Research, prevê que os estímulos se concentrem no primeiro semestre, enquanto no segundo semestre a desaceleração se tornará evidente, com agentes econômicos aguardando os desdobramentos eleitorais.
Pesquisas recentes indicam um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em um possível segundo turno.
O Ministério da Fazenda, por sua vez, estima que o PIB crescerá novamente 2,3% este ano.
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