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'É o Big Brother da investigação do Master': juristas criticam vazamento de conversas íntimas de Vorcaro e exposição de mulheres

É o Big Brother da investigação do Master

Juristas criticam vazamento de conversas íntimas de Vorcaro e exposição de mulheres

Crédito, Banco Master/Divulgação

Author, Mariana SchreiberRole, Da BBC News Brasil em Brasília

7 março 2026, 09:13 -03Atualizado Há 2 minutos

O vazamento de conteúdos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro desde quarta-feira (4/2) expôs altas autoridades em Brasília, assim como detalhes íntimos de sua vida amorosa que rapidamente alimentaram piadas e memes na internet.

A divulgação provocou não só a exposição de Vorcaro, investigado por supostas fraudes bilionárias no seu banco, o Master, mas também de mulheres com quem ele se relacionou, que não são alvos das investigações.

Juristas ouvidos pela reportagem dizem que o vazamento é ilegal por dois motivos: violou o sigilo das investigações e também a privacidade dos envolvidos, já que mensagens de teor pessoal sem relação com os crimes investigados deveriam ser preservadas.

Na tarde de sexta-feira (6/2), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça atendeu a um pedido da defesa de Vorcaro e determinou a abertura de um inquérito para apurar quem são os responsáveis pelo vazamento, ressalvando a preservação do sigilo da fonte garantido aos jornalistas. Ou seja, a imprensa não será investigada.

A defesa de Vorcaro disse neste sábado (7/3) que já havia pedido no dia 16 de fevereiro ao STF acesso integral às perícias realizadas nos aparelhos eletrônicos apreendidos no curso da investigação, e que seu pedido "ganhou agora especial relevância" diante das notícias veiculadas na imprensa sobre o conteúdo.

Vazamentos ilegais usados para fins políticos

A professora do Insper Marina Coelho ressalta que divulgações indevidas em investigações não são novidades e muitas vezes são usadas como forma de interferir na política.

Ela cita como exemplo, a divulgação na operação Lava Jato de diálogo entre a então presidente Dilma Rousseff e então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a assinatura antecipada de um termo de posse dele como ministro da Casa Civil, episódio que levou o petista a ser barrado do cargo pelo STF pouco antes do processo de impeachment de Dilma.

Depois, o então ministro do STF Teori Zavascki anulou essa gravação, divulgada pelo então juiz federal e hoje senador Sérgio Moro (União Brasil-PR), porque foram feitas após o período autorizado e envolviam a Dilma, que na época tinha foro especial no Supremo.

Coelho diz que, hoje, a privacidade de pessoas investigadas é garantida por princípios constitucionais. Ela defende que isso deveria ser melhor estruturado com a aprovação de uma LGPD Penal, ou seja, uma versão da Lei Geral de Proteção de Dados voltada para investigações e processos criminais.

"Não é possível que nós vamos continuar com este desrespeito à intimidade e privacidade das pessoas nas investigações penais", disse.

"A gente tem, na nossa Constituição, a possibilidade excepcional de quebra da intimidade, da privacidade das pessoas, com quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico para a investigação criminal. Então, a investigação criminal tem uma responsabilidade com esses dados. E hoje isso foi completamente violado", continuou, sobre as informações do caso Master.

Para a criminalista Marina Coelho, a convocação não é correta.

"Essa moça tinha relações privadas com ele. Não há qualquer interesse relevante para o INSS. Isso aprofunda o fosso da violência contra a mulher. Eles vão querer ali escarafunchar a vida privada dela com o namorado?", questiona.

O deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) apresentou, na quinta-feira (5/2) um requerimento na CPMI do INSS para que Martha Graeff deponha como testemunha. Para que ela seja convocada, o requerimento precisa ser aprovado na comissão.

Ele justifica o requerimento destacando que Graeff acompanhou de perto a rotina do investigado e suas interações com autoridades.

"Como testemunha direta de comunicações e encontros que misturam interesses privados de uma instituição financeira sob investigação com a esfera pública, o seu depoimento é peça-chave para desvendar a extensão da rede de influência montada em torno do grupo econômico em questão".


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