Dólar a R$ 5? O que esperar para o câmbio após nova queda da divisa em fevereiro
Expectativas para o Câmbio Após Nova Queda do Dólar em Fevereiro
27/02/2026 15h22
Atualizado há 13 horas
Embora o dólar esteja a caminho do seu primeiro ganho mensal desde outubro em relação às principais moedas, devido às tensões geopolíticas, a divisa americana se desvalorizou mais uma vez em relação ao real, atingindo mínimas desde maio de 2024. No acumulado do mês, a moeda norte-americana caiu cerca de 2%, situando-se na faixa de R$ 5,13.
Entre os fatores que contribuíram para a valorização da moeda brasileira, destaca-se o forte fluxo de investimentos estrangeiros na B3 e em ativos brasileiros, impulsionado pelos recordes sucessivos do Ibovespa e pela atratividade do valuation das ações. Esse influxo elevou a oferta de dólares no mercado, refletindo o apetite por risco local.
No Brasil, a atenção permanece voltada para a política monetária. Os dados de inflação alimentaram o debate sobre o início e o ritmo dos cortes na Selic. Segundo análise da Zero Markets, apesar de algumas incertezas envolvendo o Banco Central, o mercado mantém uma confiança relativa.
Cenário Favorável para Grandes Empresas
De acordo com o Itaú, um ambiente externo mais favorável, aliado a um prêmio de risco doméstico ainda contido e a um amplo diferencial de taxas de juros, possibilitou que o real fosse negociado em níveis mais altos no início deste ano.
O banco observa que a moeda se fortaleceu em um contexto de maior apetite por risco, impulsionado por fluxos estrangeiros. Contudo, o aumento esperado no prêmio de risco local, especialmente antes das eleições, continua a ser um fator limitante para uma maior valorização. Em relatório recente, a equipe de economistas revisou suas projeções cambiais, alterando a estimativa de R$ 5,50 para R$ 5,40 em 2026 e de R$ 5,70 para R$ 5,60 em 2027. Mesmo com a revisão para baixo, o dólar deve se valorizar em relação aos patamares atuais.
O Morgan Stanley também reconhece que o real é fortemente influenciado pelos possíveis resultados eleitorais, embora pesquisas recentes sugiram um apoio considerável a um cenário fiscal mais prudente. O banco avalia que, se as pesquisas continuarem a indicar esse caminho, o real pode se apreciar abaixo de R$ 5,00 antes das eleições de outubro, alinhando-se a um cenário otimista.
O banco Pine também ressalta que há espaço para uma queda ainda mais acentuada do dólar no primeiro semestre, podendo chegar perto dos R$ 5,00. Os analistas acreditam que o cenário econômico nos EUA combina uma desaceleração pontual do crescimento com inflação ainda elevada, mas com um viés mais favorável para o PIB no início de 2026.
Para o real, os economistas do banco esperam que o cenário permaneça favorável no curto prazo, embora vejam riscos limitados no segundo semestre relacionados a incertezas tarifárias. A estimativa é que o real se valorize para cerca de R$ 5 por dólar ainda neste semestre, com uma taxa média em 2026 estimada em R$ 5,21.
Existem projeções que apontam um valor justo ainda menor para o dólar, na faixa de R$ 4,50, conforme salientado por Robin Brooks, economista do Brookings Institution e ex-chefe de estratégia cambial do Institute of International Finance (IIF).
A editora de mercados do InfoMoney cobre temas que vão desde o mercado de ações até o ambiente econômico nacional e internacional, além de acompanhar de perto os desdobramentos políticos e seus efeitos sobre os investidores.
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