Do futuro de Marina à federação com PSOL, entenda os impactos para a Rede da decisão judicial que anulou eleição interna
Anulação do Congresso da Rede Gera Dilemas para Marina Silva
A decisão do Judiciário que anulou o congresso da Rede Sustentabilidade, impactando a eleição de suas lideranças, trouxe novos desafios para Marina Silva. A ministra do Meio Ambiente vê nesse contexto uma oportunidade de reverter os princípios originais do partido, mas o aperto do calendário eleitoral é considerado um obstáculo significativo.
A anulação gerou divisões entre os aliados de Marina, que se deparam com a questão de sua permanência na legenda. O congresso passado resultou na vitória de um aliado da deputada federal Heloísa Helena, em detrimento do candidato apoiado por Marina, sinalizando reveses para a ambientalista.
Aliados de Marina, que almejam sua candidatura ao Senado por São Paulo, observam que a situação atual na sigla provoca insegurança política e jurídica, o que pode afetar tanto a federação com o PSOL quanto a própria ala do partido alinhada à ministra.
Um interlocutor próximo afirmou ao GLOBO que, embora Marina esteja disposta a lutar pelo partido, a realidade do calendário eleitoral não permite otimismo a respeito da recuperação da Rede. A decisão judicial não assegura sua continuidade na legenda.
Marina tem afirmado a seus aliados que uma candidatura só seria viável sob três condições: 1) apoio à reeleição de Lula; 2) construção coletiva de uma frente ampla, especialmente em São Paulo; e 3) fortalecimento da agenda verde. A definição sobre sua candidatura também depende de uma reestruturação partidária.
A escolha entre permanecer no partido para resgatar seus valores ou transferir-se para atender às exigências do calendário eleitoral é um dilema que a ministra enfrenta. Marina recebeu convites formais de filiação do PT, além do interesse de outras siglas como PSOL, PSB, PDT e PV. Em dezembro, aliados da ministra publicaram um manifesto contra a atual cúpula do partido, criticando mudanças estruturais na sigla.
As divergências entre Heloísa Helena e Marina, que se intensificaram desde 2022, refletem uma divisão no diretório nacional. Enquanto Marina se posiciona como “sustentabilista” e apoia a gestão Lula, Heloísa adota uma postura de oposição, defendendo o “ecossocialismo”.
A atual liderança da Rede, sob Paulo Lamac, anunciou que recorrerá da decisão judicial. Na terça-feira, Lamac se reuniu com a presidente do PSOL, Paula Coradi, para discutir a renovação da federação prevista para março, com negociações avançando para um acordo.
A Justiça do Rio de Janeiro anulou o Congresso Municipal da Rede, realizado em fevereiro do ano passado, devido a irregularidades no processo de convocação e votação. A decisão também invalida outros encontros da sigla, afetando todo o processo eleitoral da legenda.
O juiz Marcos Antônio Ribeiro de Moura Brito alegou que houve falhas na fiscalização das instâncias estadual e nacional da sigla, que homologaram atos viciados. A nulidade do congresso municipal comprometeu a legitimidade das votações subsequentes.
O magistrado destacou que a convocação foi inadequada, com falhas na identificação dos participantes e fraude no registro de assinaturas.
A movimentação pela saída de Marina ocorre após mudanças na estrutura do partido, que geraram insatisfação entre seus aliados. Dirigentes publicaram um manifesto criticando as alterações estatutárias e alegando perseguição interna à ministra.
O documento denuncia um projeto de captura institucional que concentra poder na Executiva Nacional e fragiliza a democracia interna, evidenciando que a tentativa de silenciar dissidências é uma preocupação crescente dentro da legenda.
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