Pleno Distribuidora de Títulos

Do CDB turbinado à liquidação: Banco Central põe fim ao Banco Pleno, ligado a ex-sócio do Banco Master

Perfil da Jornalista

Formada em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), a profissional foi reconhecida em 2025 como uma das 50 jornalistas mais admiradas na área de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Com passagens pela redação do TradeMap, atualmente, atua como repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro, focando em temas do setor financeiro, incluindo bancos, instituições financeiras e grandes companhias listadas na B3.

Fim do Banco Pleno

A liquidante Banco Pleno, anteriormente conhecido como Banco Voiter, enfrenta um desfecho definitivo com a liquidação extrajudicial, anunciada pelo Banco Central na quarta-feira (18). A medida afeta também a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), ambas pertencentes ao conglomerado Pleno, que já esteve vinculado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

A instituição foi alvo de intervenção devido à deterioração de sua situação econômico-financeira, apresentando sérios problemas de liquidez e descumprindo normas regulatórias.

Ascensão e Queda

Até recentemente, o Banco Pleno era reconhecido por oferecer um dos CDBs mais rentáveis do mercado. Em janeiro, após a liquidação do Banco Master, o Pleno liderou a lista de CDBs com rentabilidade alta, oferecendo até 108% do CDI em papéis de três meses e 110% do CDI em vencimentos de três anos.

Contudo, a relação de risco e retorno sempre foi uma preocupação. O aumento da remuneração geralmente indica maior risco associado ao investimento, como demonstrado pela fragilidade financeira da instituição.

Em uma reportagem publicada no final de janeiro, o Seu Dinheiro já havia sinalizado riscos crescentes de crédito relacionados ao Banco Pleno.

Decisão do Banco Central

O Banco Central justificou a liquidação com a alegação de comprometimento financeiro e a violação de normas regulatórias. A decisão reflete a incapacidade do banco de operar de forma regular e segura. Apesar da falta de informações financeiras atualizadas, a deterioração de liquidez foi um fator decisivo.

O último balanço conhecido, de dezembro de 2024, indicava uma carteira de crédito de R$ 2,1 bilhões, com atrasos superiores a 90 dias em 1,23% das operações. Naquele período, a instituição reportou um lucro líquido de R$ 133 milhões.

O Banco Central seguirá investigando as responsabilidades legais, o que poderá resultar em sanções administrativas.

Origem e Relação com o Master

O Banco Pleno surgiu em 2019 como Banco Voiter e fazia parte do conglomerado Master até sua venda ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Lima foi preso no mesmo dia que Vorcaro e ambos estão sob investigação.

Impacto da Liquidação

A liquidação do Banco Pleno deve ter um impacto limitado no sistema financeiro, representando apenas 0,04% dos ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional, conforme dados oficiais.

Para os investidores, a situação é mais crítica. Com cerca de 160 mil credores, as restituições devem chegar a R$ 4,9 bilhões. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assegura até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em instrumentos como CDB e LCA.

O espaço permanece aberto para que o Banco Pleno se manifeste sobre o assunto.


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