Direita vê sucesso em atos no domingo (1°); esquerda fala em fracasso
Direita celebra atos no domingo; esquerda critica adesão
As manifestações da direita ocorridas neste domingo (1°) foram celebradas por membros da oposição, enquanto parlamentares da base aliada do governo Lula as minimizaram. Para os congressistas da esquerda, a participação foi considerada baixa.
Representantes da direita enfatizaram suas pautas e evitaram discutir números de participantes, enquanto os aliados do governo apontaram que os atos estavam menos lotados em comparação a outras mobilizações do grupo.
Flávio Bolsonaro, em São Paulo, busca demonstrar unidade com Zema e Caiado.
Análise: Direita busca união visando eleições
Flávio participa de manifestação pela primeira vez como pré-candidato ao Planalto. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o ato em São Paulo teve um "bom número" de participantes. O discurso dele foi o mais esperado do evento, com acenos a aliados e grupos eleitorais importantes.
"Achei que foi um bom número, como sempre os brasileiros dando a cara a tapa, vindo para a rua, mostrando que não têm medo de perseguição e que é o momento de virada de chave no nosso Brasil. Sou muito grato a todos que vieram aqui e aqueles que não puderam vir e estão nas redes sociais fazendo também o bom combate em defesa do Brasil", declarou Flávio em entrevista.
Na Avenida Paulista, a manifestação atraiu cerca de 20,4 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político, que conta com apoio de pesquisadores da USP em parceria com a organização More in Common. Considerando a margem de erro, a estimativa varia entre 18 mil e 22,9 mil no pico, às 15h53.
No Rio de Janeiro, a contagem do Monitor estimou a participação em 4,7 mil pessoas na praia de Copacabana, com uma margem de erro que coloca o número entre 4,1 mil e 5,3 mil no pico às 11h20. Não houve contagem em outras capitais.
O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que a Avenida Paulista estava "lotada" e defendeu a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros deputados do Partido Liberal destacaram, durante e após os atos, que o Brasil "acordou", em alusão ao movimento "Acorda Brasil".
"O Acorda Brasil não termina hoje. Este é apenas o início de uma mobilização crescente, pacífica e legítima, que seguirá avançando até que o país volte ao caminho da responsabilidade, da liberdade e da justiça", afirmou em nota o deputado Luciano Zucco (PL-RS), vice-líder da oposição.
As mobilizações, que contaram com a participação de líderes políticos da direita e pré-candidatos ao Planalto, aconteceram em mais de 20 cidades ao longo do dia. Os atos focaram em críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à atuação de ministros do STF. Também defenderam a anistia a Jair Bolsonaro e a derrubada do veto ao projeto da dosimetria, que reduz penas de condenados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023.
Para o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), as mobilizações foram um "fiasco" e tiveram baixa adesão. "Prometeram um tsunami, veio uma marolinha. Os atos da extrema direita foram esvaziados. No Rio de Janeiro, menos de cinco mil pessoas. Em São Paulo, poucas pessoas também", disse em vídeo no X.
O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que "as manifestações bolsonaristas foram marcadas por uma flopada histórica e vergonhosa". Segundo ele, o povo "cansou de discursos vazios, de ódio e de manipulações que não resolvem os problemas reais do Brasil".
Na opinião do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), os primeiros atos bolsonaristas após o lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro "escancaram um movimento em queda livre". Ele criticou ainda a "falta de entusiasmo" no discurso do filho do ex-presidente.
"Foi um fracasso evidente e uma vergonha para quem tentava vender força. Flávio começa sua pré-campanha menor do que esperava, sem conseguir mobilizar nem a própria base", concluiu o petista no X.
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