Dino usa Sermão da Montanha para elogiar a própria atuação no STF
Ministro cita Sermão da Montanha em celebração de dois anos no STF
Em uma mensagem publicada para comemorar dois anos à frente do cargo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, fez referência a um trecho do Sermão da Montanha. Ele afirmou que continuará "fiel ao trabalho para concretizar" os princípios dessa passagem.
"Permanecerei sempre fiel ao trabalho para concretizar o Sermão da Montanha: 'Bem-aventurados os que têm fome e sede de Justiça, porque serão saciados' (Mateus 5,6)", destacou o ministro em sua postagem no último domingo, 22.
Na mesma mensagem, Dino expressou descontentamento com o dever de discrição que recai sobre os magistrados, que ele considera um "ônus próprio da função de juiz". Ele acrescentou que, ao contrário do que costumava fazer, não pode se defender publicamente de ataques e inverdades, incluindo afirmações que nunca fez.
Além disso, Dino, que é relator de ações relacionadas ao Orçamento Secreto e ao pagamento de benefícios que ultrapassam o teto salarial do funcionalismo público, comentou sobre sua reflexão atual acerca dos "direitos sociais" previstos na Constituição e da boa gestão do dinheiro público entre os três Poderes. A Corte tem enfrentado críticas devido a processos estruturais que visam monitorar a implementação de políticas públicas, sendo vistos por alguns como uma usurpação das competências do Legislativo e do Executivo.
Ex-membro do PCdoB, Dino foi indicado ao STF pelo presidente Lula (PT) após atuar como ministro da Justiça e Segurança Pública. Ele é o mais recente integrante da Corte e preside a Primeira Turma, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros réus por uma suposta tentativa de golpe.
Durante a sessão na última quinta-feira, 19, o presidente do STF, Edson Fachin, parabenizou Dino pela data. Em resposta, o ministro fez outra citação bíblica, mencionando Abraão.
"Dessas múltiplas viagens que fiz, eu sempre achei que Abraão era um exemplo que saiu de Ur, na Caldeia, para viajar e não voltar para a sua terra de origem. E há outro viajante igualmente encantador na literatura laica que é Ulisses, que faz a viagem para voltar à sua terra. Então, eu me divido neste dia e a vida inteira por várias opções existenciais entre Abraão e Ulisses, vou percorrendo os caminhos que Deus define nas nossas vidas", concluiu.
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