Dinheiro do Rioprevidência foi usado para acobertar fraudes bancárias do Master, diz economista
Dinheiro do Rioprevidência foi desviado para encobrir fraudes do Banco Master, afirma economista
O economista Hugo Bertha revela como os recursos de aposentados e pensionistas foram utilizados em uma das instituições financeiras mais controversas do país.
A falência do Banco Master resultou na perda de uma parte significativa dos recursos destinados a fundos de previdência, afetando diretamente os pagamentos a aposentados e pensionistas. A investigação da Polícia Federal aponta que, no caso do Rioprevidência, esse montante representa 25% do total do fundo. Embora o investimento direto tenha sido de R$ 960 milhões, os cálculos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) indicam que a quantia total pode chegar a R$ 2,6 bilhões, considerando outros fundos associados ao Master.
Em entrevista, Hugo Bertha, que atua como assessor parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e foi ex-coordenador de controle de despesas públicas, discute os desdobramentos da crise do Banco Master e sua conexão com o Rioprevidência. Segundo Bertha, o investimento de 18 fundos previdenciários no Master visava criar a ilusão de que a instituição poderia honrar seus compromissos financeiros.
O economista descreve um esquema com uma cronologia clara, onde o Banco Master, sob a liderança de Daniel Vorcaro, foi credenciado imediatamente após a nomeação de uma nova diretoria pelo governador Cláudio Castro. Bertha destaca que o Rioprevidência aportou mais da metade do valor investido pelos 18 fundos em letras financeiras do Master, um banco considerado de "terceira linha" que não deveria receber esse tipo de investimento público. Os diretores, já exonerados, estão sob investigação, e o ex-presidente Deivis Marcon Antunes foi preso.
Bertha explica que o Master utilizava uma engenharia financeira com "carteiras fraudulentas", apresentando ativos superavaliados para simular uma saúde financeira que não existia. Ele compara essa prática ao mercado de arte, onde avaliações inflacionadas geram ganhos artificiais. O cenário para a recuperação do dinheiro dos aposentados é desolador; a maior parte do montante se tornou irreversível, tornando quase impossível recuperar o prejuízo bilionário.
A legislação sobre fundos previdenciários proíbe investimentos em aplicações de risco. Questionado sobre o Rioprevidência, Bertha afirma que o investimento inicial de R$ 960 milhões é incompreensível, considerando que o Banco Master era visto como um banco de pouca confiança. Ele também destaca que houve outros fundos controlados que entraram na jogada, complicando a situação.
Bertha critica a falta de transparência nas decisões tomadas pelos novos diretores após a mudança de gestão, apontando que o governador Cláudio Castro tem responsabilidade direta nas escolhas que levaram ao colapso.
Em relação ao ressarcimento, ele acredita que aqueles que se enriqueceram ilicitamente devem ser condenados a indenizar o erário público, mas ressalta que a maior parte do dinheiro pode ter sido irrecuperável.
A estratégia do Banco Master de oferecer altos retornos atraiu muitos investidores, mesmo com a percepção de que havia algo errado. O depoimento de Vorcaro à Polícia Federal revela que suas operações eram baseadas na promessa de segurança do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que levanta suspeitas sobre a saúde real da instituição.
Bertha elucida que, em momentos de pressão por liquidez, Vorcaro e seus aliados políticos acionaram fundos de previdência para captar recursos reais, uma manobra arriscada.
As carteiras fraudulentas consistem em ativos superavaliados, criando uma falsa sensação de solvência. O economista compara esse esquema a um comprador que superavalia uma obra de arte para obter benefícios fiscais, destacando a complexidade da manipulação financeira.
O FGC, criado para proteger investidores, não cobre aplicações feitas por institutos de previdência, o que limita a segurança dos fundos em casos de falência de instituições menores. Bertha sugere que a falta de cobertura se deve a questões políticas e à necessidade de manter a competitividade no setor bancário.
A investigação continua, e as repercussões das operações da Polícia Federal ainda estão sendo sentidas no cenário financeiro brasileiro.
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