olhardigital

Desinformação médica online é rara, mas idosos concentram a maior exposição

Apesar da crescente disseminação de fake news, informações médicas de baixa credibilidade ainda são raras e pouco acessadas na internet.

Essa é a principal conclusão de um estudo realizado por Ben Lyons e outros pesquisadores da University of Utah, que investigou o comportamento online de mais de mil adultos americanos ao longo de quatro semanas, conforme reportado pelo portal MedicalXpress.

Os resultados mostram que a exposição a conteúdos duvidosos de saúde é uma parte pequena da navegação geral. Entretanto, os dados revelam um padrão alarmante: o consumo desse tipo de informação é fortemente concentrado entre adultos mais velhos, especialmente aqueles com inclinação política à direita.

Estudo sobre desinformação médica analisou 9 milhões de páginas

Durante o período de pesquisa, os participantes acessaram cerca de 9 milhões de URLs, incluindo aproximadamente 500 mil vídeos no YouTube. No total, 1.055 domínios foram classificados como relacionados à saúde, dos quais apenas 78 sites (representando 6,8%) foram considerados de baixa credibilidade em temas médicos.

Apenas 13% dos participantes visitaram pelo menos um desses sites durante as quatro semanas. Essas visitas representaram apenas 3% de toda a navegação relacionada à saúde, indicando que a desinformação médica online não domina o ambiente digital, ao contrário do que muitos acreditam.

Entre os principais achados do estudo, destacam-se:

6,8% dos sites de saúde analisados tinham baixa credibilidade;

13% dos participantes acessaram pelo menos um desses sites;

Essas visitas representaram 3% da navegação em saúde;

Os 10% mais expostos concentraram mais de 75% dos acessos;

Idosos apresentaram uma proporção maior de exposição.

O grupo mais exposto foi altamente concentrado. Os 10% dos participantes com maior contato com esses conteúdos foram responsáveis por mais de três quartos de todas as visitas a sites médicos duvidosos. Isso sugere que a exposição não é homogênea, mas se acumula em um subconjunto específico de usuários.

Idosos e crenças prévias influenciam o padrão de consumo

De acordo com Ben Lyons, professor do Departamento de Comunicação da universidade e autor principal do estudo, a maioria das pessoas não acessa esse tipo de conteúdo.

Entretanto, adultos mais velhos buscam mais informações sobre saúde na internet, seja por condições médicas ou por decisões clínicas, o que aumenta a probabilidade de contato com fontes problemáticas.

A pesquisa também revelou que a exposição ocorre fora dos meios convencionais de busca, como o Google, e redes sociais. Frequentemente, os usuários acessam esses sites diretamente ou por meio de portais igualmente questionáveis. Além disso, indivíduos que já acreditavam em alegações falsas sobre saúde ou que tinham visões conspiratórias apresentaram maior probabilidade de consumir esse tipo de conteúdo.

Os autores sugerem que melhorar a qualidade do ambiente informacional online e fortalecer a capacidade crítica dos usuários é especialmente relevante para o público idoso. Ao mesmo tempo, o estudo indica que o fenômeno está ligado a padrões mais amplos de navegação digital, tornando o enfrentamento da desinformação médica um desafio estrutural.


← Voltar para as notícias