Desigualdade de gênero mantém mulheres com menor renda e mais vulneráveis
Desigualdade de gênero e desigualdade econômica
A desigualdade de gênero e desigualdade econômica estão ligadas de forma significativa, como destaca o relatório Oxfam Davos 2026, divulgado em janeiro. Segundo os dados do estudo, a desigualdade de gênero afeta a renda das mulheres de maneira desproporcional.
A desigualdade econômica afeta de forma significativa as mulheres em todo o mundo, incluindo no Brasil. De acordo com o relatório, 63% dos adultos analfabetos são mulheres, enquanto no Brasil, 59,4% dos lares chefiados por mulheres enfrentam fome. Outro levantamento, o estudo Encruzilhada Climática Oxfam 2025, mostra diferenças de renda entre grupos raciais e de gênero, com homens brancos tendo rendimentos médios de R$ 2.598, enquanto mulheres brancas recebem R$ 2.439. Entre pessoas pretas ou pardas, homens ganham cerca de R$ 1.397 e mulheres, R$ 1.281.
Mulheres recebem, em média, 21% menos que homens no Brasil, diz o governo. A pesquisa também aponta que cerca de 48% dos domicílios localizados em áreas de risco climático são chefiados por mulheres. Entre essas famílias, 62% são lideradas por mulheres negras.
A desigualdade também aparece no campo, com mulheres que trabalham em sistemas agroalimentares recebendo, em média, 20% menos que os homens em funções comparáveis. De acordo com o estudo, essa diferença está relacionada à concentração feminina em postos menos remunerados, menor acesso a treinamento técnico e contratos de trabalho mais precários.
A desigualdade de gênero se reflete em diferentes áreas da vida social e econômica, como afirma a diretora da organização. "Uma sociedade marcada pela desigualdade de gênero é aquela na qual meninas e mulheres têm um status diferente do que meninos e homens. Suas vidas têm um valor menor", completa. "Esse valor menor se expressa na maneira como se garante o acesso aos direitos, na maneira como existe proteção, na maneira como a gente, exercendo a mesma função, a gente recebe a mesma remuneração", adiciona.
A desigualdade é ainda mais acentuada quando se considera o fator racial, diz a diretora. "Quando pensamos a partir da dinâmica racial, as mulheres negras e indígenas vivenciam um desafio adicional, que é a desigualdade de gênero somada à desigualdade racial", completa.
Para a diretora, compreender essas diferenças é fundamental para a formulação de políticas públicas. "Pensar isso ajuda a entender como essa violência se reproduz para todas as mulheres, mas não da mesma forma. As soluções precisam considerar a diversidade das mulheres brasileiras para garantir acesso igualitário a direitos e oportunidades", conclui.
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