Desembargadora é alvo de reclamação no CNJ após discussão política
A desembargadora Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT17) do Espírito Santo, enfrenta uma reclamação disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A queixa, apresentada por colegas, alega que ela fez manifestações de conteúdo de extrema direita em redes sociais e em grupos de WhatsApp.
Os autores da reclamação incluem o desembargador aposentado José Carlos Rizk Filho, o juiz Roque Messias Calsoni e a juíza Suzane Schulz Ribeiro. Segundo informações obtidas pelo Século Diário, nos dias 30 e 31 de julho, Marise teria causado polêmica em um grupo de WhatsApp da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 17ª Região (Amatra 17). Os reclamantes solicitam a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que pode levar à aposentadoria compulsória da desembargadora.
No dia 30, Rizk compartilhou uma nota da Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (Frentas) que condenava sanções dos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Marise reagiu de forma agressiva, questionando Rizk sobre a transferência de dinheiro da OAB e mantendo um tom hostil mesmo após apelos por respeito.
Suzane também se manifestou, elogiando a nota da Frentas, ao que Marise respondeu de maneira sarcástica. Além disso, a desembargadora começou a compartilhar vídeos de figuras de extrema direita, justificando sua posição de forma provocativa.
No dia seguinte, Calsoni defendeu Rizk e a nota da Frentas, pedindo um debate respeitoso. Marise, por sua vez, respondeu de forma desdenhosa e continuou a troca de ofensas.
A denúncia ainda inclui um diálogo privado entre Marise e a juíza Rozaly Stange Azevedo, que tentou mediar a situação. Em um áudio, Marise expressou sua frustração com o que considerava um domínio da "esquerdalha" militante, revelando sua intenção de retaliar postagens políticas.
A diretoria da Amatra se reuniu em 31 de julho para discutir a situação, decidindo não excluir Marise do grupo para evitar a vitimização. Contudo, expressaram preocupação com seu aparente desequilíbrio emocional e psicológico, especialmente considerando suas chances de ser eleita presidente do TRT17 em um futuro próximo.
Os magistrados ressaltaram que a atitude da desembargadora contradiz as expectativas da sociedade em relação a um juiz, que deve ser imparcial e respeitoso.
Em decisão recente, o ministro Mauro Campbell Marques do CNJ, embora considerando os fatos como graves, indeferiu o pedido de afastamento cautelar da desembargadora, alegando que as manifestações ocorreram em um grupo particular. Ele também solicitou que Marise se manifestasse em até 15 dias. Na última quinta-feira, a defesa da desembargadora pediu que o processo fosse mantido em segredo de justiça.
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