Deputados federais do CE fizeram mais de mil discursos em três anos; veja quem lidera o ranking
Deputados federais do CE realizaram mais de mil discursos em três anos
Um estudo realizado pelo PontoPoder revela quem são os deputados federais cearenses que mais se pronunciaram nos últimos anos.
Desde o início do atual mandato, os deputados do Ceará usaram o plenário da Câmara Federal para se manifestar em 1.139 ocasiões. A pesquisa, que abrange o período de 1º de janeiro de 2023 a 11 de fevereiro de 2026, aponta que o líder do Governo, José Guimarães (PT), se destaca com o maior número de discursos. Logo atrás, aparece o deputado André Fernandes (PL), um dos mais leais bolsonaristas do estado.
Os dados indicam uma predominância de discursos durante as votações, além de uma forte concentração em poucos nomes e temas relacionados a legislação e governo.
José Guimarães lidera com 349 discursos, enquanto André Fernandes contabiliza 150. O terceiro mais ativo é Mauro Filho (PDT) com 103 intervenções. Os demais deputados não ultrapassaram a marca de 100 discursos, conforme os registros da Câmara.
Para essa análise, o PontoPoder considerou todas as intervenções feitas pelos parlamentares, incluindo as Ordens do Dia, Breves Comunicações, Encerramentos, Homenagens e Comissões Gerais.
A Ordem do Dia é a fase da sessão voltada à discussão e votação das propostas em pauta. Durante as sessões ordinárias, essa fase começa às 16 horas, e, antes de seu início, a presença dos deputados é verificada através de um sistema eletrônico.
Ao focar apenas na Ordem do Dia, a concentração de discursos se intensifica. Dos 322 discursos feitos por Guimarães nesse contexto, ele representa mais de 43% das 745 intervenções realizadas por toda a bancada cearense.
Em entrevista ao PontoPoder, o parlamentar destacou que sua elevada participação se deve à liderança que exerce na Câmara, além de seu perfil ativo como legislador.
"Minha atuação como Líder do Governo Lula e Dilma exige presença constante na tribuna, e também sou recordista em projetos apresentados e aprovações. Isso é uma característica do meu trabalho ao longo da vida pública", afirmou.
André Fernandes, com 80 discursos, e Mauro Benevides Filho, com 72, estão bem atrás. Essa fase das sessões é crucial, pois é quando o plenário delibera efetivamente, indicando que uma parte significativa da atuação dos deputados está ligada ao encaminhamento de votações e à defesa ou crítica de propostas. A distribuição dos discursos confirma essa tendência.
Quase dois terços das manifestações ocorreram no momento deliberativo. As Breves Comunicações se destacam como o segundo espaço mais utilizado pelos parlamentares, servindo como uma vitrine política para se conectar com suas bases.
Independentemente da fase do discurso, Guimarães enfatizou que essa ferramenta é essencial para qualquer mandato.
Na outra extremidade, há quatro parlamentares que não discursaram desde que assumiram nesta legislatura. Dois deles são suplentes em exercício, Gorete Pereira (MDB) e Vanderlan Alves (Republicanos), que tomaram posse recentemente, logo antes ou após o recesso parlamentar.
Os deputados Matheus Noronha (PL) e Robério Monteiro (PDT) estão na Câmara desde 2023, mas optaram por não fazer intervenções.
O pedetista explicou que seu foco está nas ações nos municípios cearenses, com participação ativa nas discussões nas comissões, especialmente nas áreas de desenvolvimento regional, saúde e educação.
Os dados também mostram uma diminuição progressiva no número de discursos ao longo dos anos.
Em 2026, foram registrados 20 discursos até 11 de fevereiro. O maior volume ocorreu em 2023, ano inicial da legislatura e do terceiro mandato do presidente Lula (PT), quando ele organizava sua base aliada e apresentava propostas prioritárias ao Legislativo, em um contexto de união entre os Três Poderes após a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.
A análise das palavras mais mencionadas revela um caráter institucional nos discursos. Os termos mais frequentes incluem “Projeto de lei ordinária” (451 ocorrências), “Orientação de bancada” (259), “Governo” (172), “Voto favorável” (158) e “Base de apoio político” (152).
Além disso, surgem referências ao Congresso Nacional, ao Senado Federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF), bem como menções ao Banco Central do Brasil e ao Instituto Nacional do Seguro Social.
Outros temas abordados incluem “Reforma tributária” (49 registros), “Taxa de juros”, “Piso salarial” e “Enfermagem”, com menções ao Sistema Único de Saúde. Questões como “Segurança pública”, “Crime organizado”, “Homicídio” e “Notícia falsa (fake news)” também foram citadas.
André Fernandes e Matheus Noronha foram contatados pela reportagem, mas não retornaram.
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