Delegado é condenado por associação criminosa com policiais em SP
Delegado condenado por associação criminosa com policiais em SP
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) impôs condenação ao delegado aposentado Eduardo Peretti Guimarães, assim como a três policiais civis e dois militares, por envolvimento em uma organização criminosa armada que operava na região de Mogi das Cruzes e em outras localidades da Grande São Paulo.
Em 2017, Peretti foi demitido da Polícia Civil por concussão, um ato onde um agente público exige vantagens indevidas. No entanto, quatro anos depois, conseguiu reverter sua demissão através de uma decisão judicial.
Na sentença proferida em 20 de fevereiro, que resultou na condenação dos réus, o tribunal destacou que todos os acusados, por serem policiais, apresentavam “culpabilidade diferenciada” devido ao abuso de suas funções. A atuação do grupo foi considerada um ataque à imagem da polícia, gerando desconfiança na instituição.
Eduardo Peretti Guimarães foi sentenciado a nove anos de prisão em regime fechado por associação criminosa, sendo absolvido das acusações de extorsão e tráfico.
Os policiais civis Diego Bandeira Lima, Ronaldo Batalha de Oliveira e Wilson Isidoro Junior, assim como os policiais militares Jorge Luiz Cascarelli Junior e Jocimar Canuto de Paula, foram condenados a oito anos e nove meses de prisão em regime fechado, além de perderem seus cargos públicos.
Apesar das condenações, os réus foram absolvidos das acusações específicas de extorsão, roubo e tráfico de drogas, pois não foi possível detalhar a participação de cada um nos crimes mencionados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Todos os condenados respondem ao processo em liberdade, negando qualquer crime.
As investigações revelaram que Peretti não só fazia parte da organização criminosa como também participava ativamente de ações de extorsão e fornecimento de drogas. Um dos casos mencionados no processo envolveu a coação de um comerciante, ameaçado com uma arma, a pagar R$ 20 mil para evitar o fechamento de sua casa noturna, sob a alegação de que drogas estavam sendo utilizadas no local. O pagamento foi parcelado em R$ 5 mil.
Dias depois, houve nova cobrança de R$ 5 mil e, em Natal de 2021, um policial civil, a mando de Peretti, exigiu mais R$ 7.500, afirmando que era o valor “devido” e aconselhando a vítima a “ficar esperta”.
O processo também incluiu conversas interceptadas entre os réus, onde discutiam a divisão de valores e mencionavam um “chapéu”, indicando que parte do montante não havia sido repassada.
Além disso, Peretti foi acusado de fornecer cocaína a outros membros do grupo, referindo-se ao produto como “negócio branco”.
Os outros agentes condenados, além de suas penas, enfrentaram a perda de seus cargos públicos, uma medida considerada pela Justiça devido ao uso indevido de suas funções para a prática de crimes.
O Judiciário destacou que a atuação do grupo não se tratava de eventos isolados, mas de uma estrutura organizada que usava distintivos e armas para extorquir vítimas. A defesa dos réus negou as acusações, mas o tribunal considerou que as versões apresentadas estavam “isoladas” e não afastavam o conjunto probatório.
A condenação de Peretti, mantida pelo TJSP, é um dos casos mais graves envolvendo forças de segurança na região, evidenciando uma atuação “longa, intensa e determinante” para o funcionamento da organização criminosa.
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