Camilo Santana

Debate sobre gênero nas escolas não deve ser classificado como ‘tabu’, diz Camilo Santana

Debate sobre gênero nas escolas deve ser tratado como prioridade, afirma Camilo Santana

Em meio a um aumento alarmante nos casos de violência contra a mulher no Brasil, o ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que a discussão sobre gênero nas instituições de ensino não deve ser vista como um “tabu”, mas sim como um tema que historicamente foi negligenciado nas políticas públicas.

Santana enfatizou a necessidade de priorizar questões relevantes para a sociedade durante uma entrevista à CartaCapital. Ele mencionou a importância de discutir temas como masculinidade e respeito às mulheres nas salas de aula, apontando que o desafio reside na execução de iniciativas já aprovadas.

O ministro citou como exemplo a lei que torna obrigatória a inclusão de História e Cultura Afro-brasileira e indígena no currículo escolar, uma medida que ainda não foi totalmente implementada no sistema educacional.

Além disso, Camilo Santana anunciou que, nas próximas semanas, o governo Lula lançará uma política nacional destinada a combater a discriminação e a violência nas escolas. Essa iniciativa está sendo desenvolvida em colaboração com o Conselho Nacional de Secretários de Educação e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, que atuam na gestão das redes de ensino.

Entre as ações planejadas estão programas de formação contínua para educadores, desenvolvimento de materiais pedagógicos, orientações técnicas e cursos — incluindo opções a distância — visando capacitar professores para enfrentar bullying, racismo, violência e desigualdade de gênero. “A escola deve ser o espaço para enfrentar esses desafios desde a infância, conscientizando sobre a importância do respeito às mulheres”, acrescentou o ministro.

De acordo com Santana, essa iniciativa está alinhada à “determinação muito forte” do presidente Lula para transformar as escolas em agentes ativos na prevenção da violência de gênero. No início de fevereiro, o presidente já havia defendido a educação com perspectiva de gênero tanto na Educação Básica quanto no Ensino Superior.

Desde o final do ano passado, o governo federal tem promovido uma campanha de conscientização contra o feminicídio, enfatizando a necessidade de que os homens assumam um papel ativo no combate à violência. No mês passado, em parceria com o Congresso Nacional e o Poder Judiciário, foi lançado o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, que visa uma atuação coordenada entre os Três Poderes para prevenir a violência contra mulheres e meninas.

Segundo o relatório anual sobre feminicídios no Brasil, em 2025 foram registradas 6.904 vítimas de feminicídio consumado e tentado, representando um aumento de 34% em relação a 2024. Destes, 4.755 foram tentativas e 2.149 assassinatos, resultando em uma média de quase seis mulheres mortas por dia.

Os dados revelam que a maioria dos crimes ocorre no contexto íntimo, com 75% dos casos envolvendo agressores que fazem parte do círculo de intimidade da vítima. Muitas mulheres foram mortas ou agredidas em suas próprias casas. A idade média dos agressores é de 36 anos, e a maioria dos crimes é cometida por uma única pessoa, com 48% dos casos utilizando armas brancas.

Camilo Santana visitou Aracaju (SE) para a posse de novos reitores da Universidade Federal de Sergipe e destacou a importância de abordar essas questões educacionais de forma proativa e contínua.


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