Davi Alcolumbre

De olho nas pesquisas, Alcolumbre confirma quebra de sigilo de Lulinha

Alcolumbre confirma quebra de sigilo de Lulinha

O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu manter a deliberação da CPMI do INSS que determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O senador, que é aliado "ma non troppo" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atendeu a um pedido da oposição, que havia aprovado a medida na semana anterior, em uma sessão marcada por divergências e questionamentos da base governista. Alcolumbre rejeitou um recurso apresentado por 14 deputados e senadores aliados, que solicitavam a suspensão imediata dos efeitos da votação, alegando falhas na condução do processo.

As quebras de sigilo foram aprovadas em 26 de fevereiro, a partir de pedidos do relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A votação foi simbólica, sem registro nominal, o que intensificou os questionamentos posteriores. Ao abrir a deliberação, Alcolumbre pediu que os parlamentares contrários se manifestassem, registrando sete votos contra, considerando apenas os membros titulares. Contudo, governistas sustentam que houve 14 votos contrários, afirmando que o resultado não refletiu a maioria presente.

Lulinha tornou-se alvo da comissão após investigações sobre supostos desvios no INSS que mencionaram um possível vínculo com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A CPMI investiga irregularidades relacionadas a descontos e operações financeiras ligadas ao órgão. A decisão de Alcolumbre não ocorre isoladamente, mas reflete um contexto de crescente fragilidade do governo, captada pelas pesquisas de opinião. A mais recente, da RealTime BigData, divulgada ontem, aponta um cenário polarizado e apertado para 2026.

Lula lidera os cenários de primeiro turno com cerca de 39% a 40%, mas enfrenta um adversário competitivo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que oscila entre 32% e 34%. No segundo turno, a disputa é acirrada: 42% para Lula e 41% para Flávio. O dado mais preocupante, no entanto, é a avaliação do governo: 51% desaprovam a gestão federal, enquanto 44% a aprovam. Apenas 26% classificam o governo como ótimo ou bom, enquanto 46% o consideram ruim ou péssimo. Essa discrepância é alarmante: Lula mantém capital eleitoral, mas enfrenta uma desaprovação majoritária.

As tendências por segmento social mostram que Lula preserva sua força nas faixas de renda mais baixa, atingindo 44% entre eleitores que ganham até dois salários mínimos, e mantém uma vantagem robusta no Nordeste, onde chega a 47% a 50%. Entretanto, enfrenta dificuldades entre eleitores de renda mais alta e perde terreno no Sul e em partes do Centro-Oeste.

No Sudeste, região crucial, o cenário é de equilíbrio instável. Entre jovens de 16 a 34 anos, há um empate numérico com o bolsonarismo, indicando que a nova geração não é hegemonicamente lulista. Outro dado relevante é a rejeição: 47% afirmam que conhecem Lula e não votariam nele, mesmo percentual que se aplica a Flávio Bolsonaro. O país permanece dividido, com dois polos firmes e pouco espaço para novas candidaturas.

Neste contexto, o Centrão recalcula suas estratégias. Alcolumbre, um político experiente, percebeu a fragilidade do governo. Em situações em que a desaprovação supera a aprovação e as eleições se mostram apertadas, a fidelidade parlamentar tende a ser elástica.

A manutenção da quebra de sigilo indica à oposição que há espaço institucional para investigar o entorno familiar do presidente. O governo, que antes estava blindado no Senado, agora não tem essa certeza. A realidade é dura: o Congresso se ajusta conforme as pesquisas.

Por trás do trabalho técnico da comissão, há uma disputa narrativa. A CPMI do INSS pode se transformar em um palco de desgaste para o governo e para Lula. Comissões anteriores desempenharam papéis centrais na erosão da estabilidade política e no suporte eleitoral de governos. Em períodos eleitorais, fatos envolvendo familiares têm um potencial explosivo.

A eleição de 2026 será definida mais pela rejeição do que pela esperança. Lula inicia a corrida à frente, mas com uma margem estreita. Se a desaprovação continuar acima de 50% e o empate técnico no segundo turno se consolidar, o ambiente parlamentar tenderá a se tornar ainda mais volátil. Alcolumbre, pragmático, não cortou laços com o governo, mas também não se posiciona claramente em sua defesa.

Diante da incerteza eleitoral, o Centrão não se baseia em convicções ideológicas, mas em probabilidades. A decisão sobre Lulinha é uma jogada no tabuleiro de 2026, cujo cenário permanece instável.


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