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De férias com o golpe

Como a extrema direita transformou janeiro, um mês atrelado ao descanso, no período preferido para tentar acabar com as democracias

Janeiro é tradicionalmente um mês de férias, renovação e esperanças por tempos melhores. No entanto, nos últimos anos, esse mesmo mês se tornou palco de tentativas de golpe, invasões e massacres.

É angustiante perceber que o sentimento de um “Feliz Ano Novo”, cheio de fé e esperança, parece ter sido roubado. O que deveria ser um momento de celebração se transforma em um período de crises e tragédias.

Nos últimos anos, logo após o Réveillon, presenciamos eventos chocantes: a invasão do Capitólio nos EUA em 2021; a destruição da Praça dos Três Poderes no Brasil em 2023; o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa em 2026; e massacres no Irã no mesmo ano.

Eu estava de férias, aproveitando o calor e a praia, quando as notícias começaram a pipocar. A experiência foi surreal: enquanto o sol brilhava, meu celular mostrava imagens de violência e destruição.

Costumo passar esse período no litoral norte de Alagoas. Em 2025/2026, com a invasão da Venezuela, percebi que não era a primeira vez que a tranquilidade era interrompida por uma onda de caos. Aquela manhã de 3 de janeiro foi marcada por mais uma crise geopolítica.

A situação nos EUA se tornava uma oportunidade para o confronto com as big techs.

Dois anos após o tumultuado início de 2021, voltei da caminhada na praia e me deparei com a notícia da invasão de Brasília por um grupo autodenominado patriota. Eles destruíram propriedades e tentaram um golpe de Estado, ameaçando a democracia.

Era janeiro novamente. O mês em que a democracia quase desmoronou em dois continentes, em apenas dois anos de diferença.

Em 2026, Trump reassumiu a presidência. Enquanto isso, na praia de Japaratinga, observava como a natureza era devastada, refletindo a lógica de exploração desenfreada.

Na manhã de 3 de janeiro, recebi a notícia do sequestro de Maduro. O evento gerou ondas de repercussão e preocupação, especialmente pela proximidade do Brasil com a Venezuela.

O mês de janeiro, que deveria ser de renovação e esperança, revelou-se mais uma vez como um período de rupturas e violência. A situação no Irã também se agravava, com protestos e mortes.

Os dias seguintes mostraram a realidade brutal do mundo: enquanto muitos desfrutavam das férias, a violência política continuava a se manifestar.

Janeiro se tornou um paradoxo; é o mês dos desejos de paz e das promessas de um futuro melhor, mas também o mês em que a violência política se intensifica.

Enquanto nos preparamos para voltar da praia, percebemos que o mundo nunca para. O desejo de um “feliz ano novo” se mistura à dura realidade de uma geopolítica implacável.

Janeiro, o mês que começa com fogos coloridos, mas que se acostumou ao som das bombas.


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