De Doca a André do Rap: os criminosos que seguem à solta fugindo da Justiça
Criminosos em Fuga: Desafios da Justiça no Brasil
O Brasil enfrenta um alarmante cenário com quase 300 mil mandados de prisão pendentes. A falta de investimentos em inteligência e a carência de um sistema unificado de dados dificultam as operações de captura. A lista de foragidos inclui desde líderes de facções até bicheiros, enquanto o sistema carcerário permanece superlotado. A seguir, conheça alguns dos fugitivos mais procurados do país e os desafios enfrentados pelas autoridades.
Em 2026, o Brasil registra quase 300 mil mandados de prisão em aberto. Entre os principais obstáculos do sistema de Justiça estão a falta de recursos para investigações complexas e a ausência de um banco de dados consolidado sobre condenações.
Embora iniciativas como o Projeto Captura, que lista os criminosos mais procurados de cada estado, e o Banco Nacional de Mandados de Prisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tenham sido implementadas, nenhuma delas oferece uma visão abrangente e unificada sobre os foragidos e seus crimes. Este é um dos temas abordados na edição nº 2980 da VEJA.
Atualmente, o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Doca da Penha, é o criminoso mais procurado do Brasil. Natural da Paraíba, ele fez carreira no Rio de Janeiro e acumula 36 mandados de prisão e 269 anotações criminais. Sua única prisão ocorreu em 2007, e após nove anos detido, ele se tornou um foragido em 2017, ao deixar de se apresentar à Justiça. Uma operação policial em outubro do ano passado, que visava sua captura, resultou na morte de mais de cem pessoas, mas Doca continua em liberdade. O Disque-Denúncia do Rio oferece uma recompensa de 100 mil reais por informações sobre seu paradeiro.
Outro fugitivo notório é André de Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap. Ele é uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) e, segundo investigações, tem conexões com o tráfico internacional de drogas e até com a máfia italiana. Após obter uma liminar em um habeas corpus concedido pelo STF em 2021, ele desapareceu, mesmo depois que a decisão foi revogada no dia seguinte. As investigações sobre sua localização permanecem em sigilo, mas não há atualizações sobre onde ele possa estar.
Na lista de foragidos, também estão envolvidos no assassinato do delator do PCC, Vinicius Gritzbach, morto em plena luz do dia no aeroporto de Guarulhos. São procurados pela Justiça: Diego dos Santos Amaral, o Didi, um dos supostos mandantes; Emilio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como João Cigarreira, e Kaue do Amaral Coelho, que atuava como olheiro.
Embora os traficantes sejam os mais conhecidos, a maioria dos procurados é composta por indivíduos envolvidos em crimes comuns. Willian Gaona Becerra, um dos sequestradores do publicitário Washington Olivetto, fugiu em 2010 durante uma saída temporária. Também são procurados o bicheiro Bernardo Bello, que apareceu na série “Vale o Escrito”, e Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, um contrabandista de cigarros.
Apesar do elevado número de mandados de prisão, o sistema carcerário brasileiro não possui vagas suficientes para todos os procurados. Dados do Geopresídios indicam que, até janeiro, havia 484.151 vagas ocupadas por 744.169 detentos, resultando em uma superlotação de 154%. Se todos os mandados fossem cumpridos, a população carcerária ultrapassaria um milhão. Segundo a professora Roberta Fernandes, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, seriam necessárias o dobro de vagas para cumprir todos os mandados, considerando que essas pessoas ainda estão vivas.
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