Gilberto Gil

De baixista a CEO: Liminha lidera grupo que comprou catálogo de Gil

Uma conversa com o renomado produtor que está escrevendo sua autobiografia e lidera a Nas Nuvens Music Group, responsável pela aquisição dos direitos do repertório de Gilberto Gil.

O ambiente do escritório na Vila Olímpia é repleto de discos icônicos e agradecimentos por recordes de venda que ultrapassam os milhões de cópias. Com um violão e diversos vinis preciosos, cerca de trinta pessoas trabalham sob a direção de Liminha, de 74 anos, CEO da Nas Nuvens Music Group, que comprou, no final de janeiro, o catálogo do artista baiano.

A relação entre Liminha e Gilberto Gil é longa, sendo ambos parceiros em catorze projetos desde 1981, incluindo álbuns de estúdio e ao vivo. Em 1984, a dupla fundou o estúdio Nas Nuvens no Rio de Janeiro, que foi responsável por produções como o álbum Cabeça Dinossauro (1986) dos Titãs.

Desde a criação da empresa em 2021, Liminha já vislumbrava essa parceria. "Foi um dos primeiros artistas que procurei, pois nos conhecemos há quarenta anos e ele possui um catálogo icônico. A ideia amadureceu ao longo do tempo, pois esse tipo de negócio é recente no Brasil", revela.

O funcionamento do modelo de negócios envolve a compra de pelo menos 50% dos direitos do repertório de um artista, com a gestão dos pagamentos de direitos autorais e o lançamento de projetos que visem aumentar a visibilidade e a rentabilidade das obras.

O foco é sempre trabalhar em conjunto com o artista ou seus herdeiros, garantindo que eles possam desfrutar dos frutos desse trabalho. "Buscamos impulsionar catálogos que costumam estar esquecidos nas editoras. A gestão de direitos autorais é complexa e requer uma equipe especializada", explica Liminha.

O objetivo desta recente aquisição é aumentar o consumo internacional do catálogo de Gil. "Embora o catálogo já seja bem administrado, podemos explorar regravações, colaborações e inserções em playlists internacionais", afirma Ricardo Queirós, diretor artístico da empresa. "Já conseguimos triplicar ou quadruplicar o faturamento em pouco tempo", acrescenta.

Uma parceria estratégica com a editora americana Primary Wave Music, que administra catálogos de artistas como Prince e James Brown, trouxe 50% de investimento para a empresa brasileira em 2023. Um dos planos é conectar o repertório de Gil ao de Bob Marley, que é administrado pela editora americana. "A internacionalização não só aumenta o alcance, mas também a receita", destaca Jason Eliasen, diretor financeiro do grupo, que atualmente gerencia 85 catálogos e planeja superar 100 até 2026.

Liminha, um ícone da música, começou sua trajetória como baixista aos 19 anos no grupo Os Baobás e se tornou parte da história ao integrar Os Mutantes até 1974. Em 1977, passou a ser um dos principais produtores do Brasil, assinando quase 200 álbuns e criando sucessos como Selvagem? (1986) e Da Lama ao Caos (1994), além de compor clássicos como Vamos Fugir em parceria com Gil.

Atualmente, Liminha continua ativo na Nas Nuvens Music Group, com projetos em andamento, como um disco com cantoras interpretando sambas de Arlindo Cruz e um documentário sobre o artista. Em breve, será lançado um álbum de regravações de Charlie Brown Jr. por artistas do rap e trap. "Reduzi meu ritmo, sempre fui workaholic, mas agora estou prestando mais atenção nisso", afirma Liminha, que também se prepara para lançar sua autobiografia. "O tempo passou rápido demais, e eu não percebi." Muitas histórias e boas músicas estão por vir.


← Voltar para as notícias