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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é preso novamente pela PF

Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, preso novamente pela PF

Na manhã desta quarta-feira (4/3), a Polícia Federal efetuou a prisão do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, juntamente com mais três pessoas, em São Paulo. As prisões foram realizadas com base em mandados de prisão preventiva emitidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Vorcaro está sob investigação desde o ano passado por possíveis crimes contra o sistema financeiro, embora ainda não seja réu em nenhum processo. A nova prisão preventiva foi justificada pela PF, que alegou que o banqueiro tentou ocultar mais de R$ 2 bilhões em patrimônio e estaria envolvido com um grupo armado que ameaçava e monitorava rivais.

A decisão que resultou na prisão de Vorcaro menciona tentativas de intimidação e ocultação de bens, mas não detalha quando esses atos teriam ocorrido. O ministro menciona mensagens trocadas pelo banqueiro com outros investigados, que discutiam atos de coação contra pessoas consideradas ameaças ao grupo. Contudo, as datas dessas mensagens não são especificadas. Desde novembro do ano passado, Vorcaro está sob monitoramento com tornozeleira eletrônica e teve aparelhos apreendidos.

Outro ponto levantado pela investigação é a existência de R$ 2,2 bilhões depositados em uma conta do pai de Vorcaro na Reag Investimentos, que também está sendo investigada. O valor foi descoberto pela PF em janeiro de 2026 durante outra operação policial, suscitando suspeitas de ocultação de patrimônio. A decisão não informa quando o dinheiro teria sido transferido.

A urgência para a decretação da prisão preventiva é respaldada pelo parágrafo 2º do artigo 312 do Código de Processo Penal, que exige a contemporaneidade dos fatos que justificam a medida. A defesa de Vorcaro nega de forma categórica as acusações feitas contra ele.

Essas são as primeiras ações mais visíveis autorizadas por Mendonça desde que assumiu a relatoria do caso, em fevereiro. O ministro Dias Toffoli, predecessor de Mendonça, não havia determinado a prisão de Vorcaro, uma vez que a PF e a Procuradoria-Geral da República afirmaram que não era necessária.

Curiosamente, Vorcaro foi preso no mesmo dia em que estava agendado para depor na CPI do Crime Organizado, no Senado. Na véspera, Mendonça havia dispensado sua presença na audiência, que abordaria supostas fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.

A decisão do ministro menciona que, segundo a PF, Vorcaro e seu operador financeiro, Fabiano Campos Zettel, teriam criado um esquema para ocultar ativos e transferido mais de R$ 2,2 bilhões para a conta do pai do banqueiro.

Além dos crimes financeiros, a principal justificativa para as novas prisões é a atuação de uma milícia privada chamada “A Turma”. A PF identificou que esse grupo, liderado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (conhecido como “Sicário”) e pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, utilizava força armada para acessar ilegalmente sistemas de segurança pública.

As quebras de sigilo revelaram que Vorcaro teria utilizado essa milícia para ameaçar ex-empregados e monitorar rivais. Em uma das comunicações, o banqueiro teria solicitado a simulação de um assalto com a intenção de agredir fisicamente um jornalista que publicava informações desfavoráveis.

Diante dessas novas evidências, a PF solicitou a decretação de prisão preventiva contra os líderes do esquema e os responsáveis pelo núcleo armado. O órgão argumentou que o grupo mantinha a capacidade de cometer crimes, lavar dinheiro e intimidar testemunhas, representando um perigo iminente à sociedade e às investigações.

A PGR pediu mais tempo para analisar os requerimentos, alegando que o prazo inicial era insuficiente para avaliar medidas severas contra pessoas físicas e jurídicas. Contudo, Mendonça negou o pedido, argumentando que a urgência do caso impedia a dilatação dos prazos, dada a iminente ameaça à segurança de cidadãos e autoridades, além do risco de evasão e destruição de provas. Para o ministro, a liberdade dos principais investigados constituía uma ameaça direta à instrução criminal, justificando a imposição da prisão cautelar conforme o artigo 312 do Código de Processo Penal.

Mendonça também determinou a suspensão das atividades de cinco empresas, destacando que a proteção à livre iniciativa não se aplica a entidades criadas exclusivamente para a prática de ilícitos e lavagem de dinheiro.

Além disso, foram impostas medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e o afastamento de funções públicas, a servidores do Banco Central que, segundo as investigações, prestavam serviços informais ao grupo.

O ministro ressaltou que a não aceitação das medidas urgentes requeridas pela PF poderia colocar em risco a segurança e a vida de pessoas vítimas dos crimes investigados, além de dificultar a recuperação de ativos bilionários desviados dos cofres públicos e de particulares afetados por delitos contra o sistema financeiro nacional.


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