CVM tem seis acusações contra Banco Master e Reag à espera de julgamento
CVM Apresenta Acusações Contra Banco Master e Reag
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou recentemente a existência de oito processos internos relacionados ao Banco Master e à Reag, que foram liquidadas pelo Banco Central após investigações sobre fraudes financeiras.
Dos processos, seis estão em fase de investigação e dois já têm acusações formuladas. É importante destacar que nem todos estão ligados às operações que culminaram na prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master, que atualmente cumpre medida cautelar com tornozeleira eletrônica.
Vorcaro é mencionado em um processo de 2020, que investiga irregularidades na emissão e distribuição de cotas de fundos de investimento, envolvendo o Master e a Viking Participações. Este caso ainda aguarda julgamento.
A CVM não divulgou detalhes específicos sobre as acusações. Contudo, um dos processos acessados revela que a Reag e seu antigo proprietário, João Carlos Mansur, estão sendo investigados por sobrevalorização de ações do antigo Besc (Banco de Santa Catarina) em fundos de investimento. Este processo também está pendente de julgamento. A relatoria foi inicialmente atribuída ao ex-diretor Otto Lobo, cujo mandato terminou em dezembro, mas que foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para liderar a CVM, aguardando aprovação do Senado.
Seis processos já têm relator definido, mas ainda não foram agendados para julgamento. Com apenas duas das cinco diretorias preenchidas, a CVM não marcou nenhuma audiência para 2026. O quórum mínimo necessário para os julgamentos é de três diretores, e, apesar da possibilidade de superintendentes atuarem como substitutos, a CVM optou por aguardar.
Essa inatividade da CVM é motivo de preocupação, especialmente em um período turbulento para o mercado financeiro, que enfrentou perdas significativas no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) devido a esquemas ligados ao Master e à Reag.
Durante uma audiência no Senado, o presidente interino da CVM, João Accioly, descreveu o escândalo do Banco Master como um "alinhamento perverso de incentivos entre gestores e investidores", caracterizando-o como uma "ficção contábil". Ele ressaltou que essa situação permitiu que a instituição mantivesse uma imagem de solidez financeira que não correspondia à realidade.
A maioria dos processos em investigação envolve a Reag e foi iniciada em 2025, após a gestora ser alvo de operações policiais que investigavam a atuação do PCC no setor de combustíveis. As investigações buscam indícios de irregularidades em fundos de investimento, além de infrações cometidas por controladores da Ambipar e mudanças na estrutura da empresa GetNinjas.
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