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Cúpula do Congresso e centrão atuam para blindar Toffoli e conter discussão sobre impeachment

Cúpula do Congresso e Centrão Protegem Toffoli e Tratam de Impeachment

As lideranças do Congresso Nacional e os membros do centrão estão mobilizados para proteger o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e evitar que a discussão sobre seu impeachment ganhe força, especialmente após sua associação ao caso do Banco Master. Toffoli admitiu ser sócio da empresa Maridt, que vendeu sua participação no resort Tayayá para um fundo vinculado a Daniel Vorcaro.

A situação se agravou com a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF), que contém mais de 200 páginas, e que foi entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, na segunda-feira. O documento inclui mensagens de Vorcaro que mencionam Toffoli e um pagamento à empresa do ministro, aumentando a tensão nos bastidores. Durante a quinta-feira, houve uma série de ligações e mensagens entre Toffoli e líderes partidários.

Após uma reunião na noite de quinta-feira, Toffoli decidiu se afastar da relatoria do caso do Banco Master. Durante o dia, políticos tentaram acalmar o ministro, assegurando que o Congresso não tomaria medidas para investigá-lo ou pressioná-lo a deixar o cargo. Toffoli é conhecido por sua forte interlocução política e frequentemente participa de eventos com parlamentares.

Presidentes de partidos do centrão se manifestaram contra o que consideram uma "Lava Jato 2", criticando o que chamam de "vazamento seletivo" de informações e o "pré-julgamento" de Toffoli pela opinião pública, que clama até pelo seu afastamento.

Na mesma quinta-feira, o partido Novo protocolou um pedido de impeachment do ministro. A decisão de autorizar o início do julgamento cabe ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que é aliado de Toffoli e já descartou essa possibilidade em conversas com aliados.

Toffoli, em nota, afirmou que não tinha conhecimento sobre quem era o gestor do fundo que adquiriu a parte de sua família no resort e negou qualquer relação próxima com Vorcaro.

De acordo com relatos, há um clima de preocupação entre as lideranças do Congresso e do centrão, que consideram o relatório da PF sensacionalista. Durante a manhã, discutiram um posicionamento para garantir que não haja pré-julgamento do ministro e que as denúncias sejam tratadas de forma legal.

Alcolumbre, o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), buscaram entender a dimensão da crise ao contatar presidentes de partidos. Alguns políticos sugeriram a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar os vazamentos da PF.

Os dirigentes partidários alegam que a PF tem conduzido investigações de forma seletiva e divulgado informações sigilosas com o intuito de prejudicar adversários do governo Lula (PT).

Apesar de defenderem Toffoli nos bastidores, as lideranças ainda avaliavam se deveriam se manifestar publicamente, mas desistiram após o STF indicar que ele se afastaria do caso.

As investigações envolvendo o Banco Master, que incluem inquéritos em vários estados sobre fraudes em fundos de previdência, são vistas como um obstáculo para conter a crise política.

O líder do PSB, Jonas Donizette (SP), ressaltou que Fachin precisa agir de acordo com a gravidade da situação. Ele mencionou que as ações de Toffoli, como o pedido para que a PF envie dados de celulares relacionados ao caso, complicam ainda mais a situação.

Entre os políticos apoiadores de Jair Bolsonaro, o episódio intensificou críticas ao STF e gerou manifestações nas redes sociais em favor do impeachment de Toffoli. O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), exigiu que a Suprema Corte se posicione, ressaltando que o afastamento da relatoria era uma medida necessária.

A percepção entre membros da direita é que a investigação da PF busca desestabilizar Toffoli, o que abriria espaço para que Lula indicasse um novo ministro do STF. No entanto, outros setores da oposição são céticos quanto a essa possibilidade. O indicado por Lula, Jorge Messias, ainda aguarda a aprovação do Senado.

Diante da resistência do Congresso em avançar com projetos contra o STF, a estratégia dos parlamentares tem sido aumentar a pressão.

O líder do Novo na Câmara, Marcel Van Hattem (RS), afirmou que, se as autoridades não agirem conforme a lei, deverão ser impulsionadas pela pressão social.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) destacou a gravidade da crise moral no país e lembrou que Toffoli instaurou o inquérito das fake news em 2019, sem provocação.

Ele enfatizou que o Senado não pode permanecer em silêncio diante dos acontecimentos, pois também é corresponsável.


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