Jussara Lima

Cuidar de si: política nacional do autocuidado pode virar lei

Política Nacional de Autocuidado pode se tornar lei

Babás, cuidadores de idosos e de crianças dedicam-se a cuidar dos outros, mas é essencial que também se lembrem de cuidar de si. A senadora Jussara Lima (PSD-PI) alerta que autocuidado não é automedicação, mas sim uma consciência sobre a própria saúde e bem-estar.

A senadora destacou que o autocuidado envolve a capacidade de reconhecer as necessidades de saúde e bem-estar, sem substituir a consulta a profissionais qualificados. Segundo Jussara Lima, a Organização Mundial da Saúde (OMS) define autocuidado como a habilidade de indivíduos, famílias e comunidades em promover saúde, prevenir doenças e manter o bem-estar, com apoio de profissionais de saúde quando necessário. Ela também mencionou que o autocuidado é um tema presente nas políticas públicas do Sistema Único de Saúde (SUS) há mais de vinte anos.

A senadora está apoiando um projeto de lei que visa estimular o autocuidado responsável no SUS, criando a Política Nacional de Autocuidado e instituindo o Dia Nacional do Autocuidado em 24 de julho (PL 3.099/2019), data que coincide com o Dia Internacional do Autocuidado. Ela presidiu uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos (CDH) sobre o projeto, atualmente sob relatoria da senadora.

O autocuidado abrange a adoção de hábitos saudáveis e práticas como o respeito aos tratamentos médicos e o uso responsável de medicamentos. Jussara Lima enfatizou a importância do autocuidado não apenas para melhorar a qualidade de vida, mas também para aliviar a pressão sobre o sistema de saúde, ajudando a reduzir casos evitáveis.

A presidente da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para o Autocuidado em Saúde, Cibele Zanotta, ressaltou que o dia 24 de julho representa a necessidade de cuidar de si mesmo todos os dias. Ela destacou que muitos brasileiros têm dificuldades em interpretar orientações médicas e em utilizar o sistema de saúde.

Zanotta também chamou a atenção para a alta prevalência de doenças crônicas no Brasil, a desigualdade no acesso à informação de saúde e os baixos índices de alfabetização em saúde. Ela argumentou que políticas públicas de autocuidado podem ter impactos positivos na saúde e na qualidade de vida da população.

A proposta do Dia Nacional do Autocuidado é vista como uma estratégia para promover campanhas educativas acessíveis e estimular a corresponsabilidade da sociedade no cuidado com a saúde. A criação da data visa transformar o autocuidado em uma agenda permanente, com potencial para influenciar gerações.

A médica pediatra Silvia Maria de Macedo Barbosa, que atua no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da USP, também destacou a importância do autocuidado, especialmente para pais que cuidam de filhos com doenças crônicas. Ela alertou que a falta de autocuidado pode levar ao adoecimento dos cuidadores.

O biólogo Daniel Forjaz, especialista em plantas medicinais, sugeriu diversas ações para promover o autocuidado, como cuidar de uma horta, ter contato com a natureza, e participar de atividades comunitárias.

A audiência pública contou ainda com a participação de outros especialistas, incluindo Juan Thompson, Márcia Gonçalves de Oliveira, Ana Luíza Pavão, e Rosane Sousa. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) preside a CDH.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)


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