tentativa de golpe Cronologia da tentativa de golpe: atentados, bloqueios e ...

Cronologia da tentativa de golpe: atentados, bloqueios e ...

Cronologia da tentativa de golpe: atentados, bloqueios e acampamentos

As imagens da depredação das sedes dos Três Poderes, ocorrida em 8 de janeiro de 2023, marcam uma das páginas mais sombrias da história democrática brasileira.

Naquela tarde nublada em Brasília, milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas urnas dois meses antes, marcharam pela Esplanada dos Ministérios, cruzaram um bloqueio policial e invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF), causando destruição.

Esse ato reafirmava um pedido que ressoava entre setores extremistas da sociedade: queriam um golpe de Estado para depor o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia sido eleito democraticamente e empossado uma semana antes.

Esse evento é o ponto culminante da trama golpista, um conjunto de ações que buscava romper com a ordem democrática e manter o grupo bolsonarista no poder. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que levou à condenação de Bolsonaro e seus aliados no STF, o plano começou a ser elaborado em 2021, logo após Lula recuperar sua elegibilidade. Nesse momento, o núcleo da organização criminosa começou a cogitar desrespeitar decisões do STF e deslegitimar o processo eleitoral em caso de derrota.

Após a derrota eleitoral em 30 de outubro de 2022, uma série de acontecimentos, incluindo violência e protestos golpistas, se sucedeu pelo país. A seguir, a Agência Brasil reconstitui esses eventos de forma cronológica.

Em uma das eleições mais acirradas da história, Lula venceu Bolsonaro com 50,9% dos votos válidos, contra 49,1%. O resultado não foi bem aceito pelos apoiadores de Bolsonaro, nem pelo próprio, que levou dois dias para se manifestar, alimentando especulações golpistas.

Na mesma noite do resultado, enquanto os apoiadores de Lula festejavam, grupos de caminhoneiros e apoiadores de Bolsonaro começaram bloqueios de rodovias em diversos estados. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) mapeou mais de mil interdições totais ou parciais em estradas federais. Os bloqueios atingiram o pico nos primeiros dias de novembro, levando Bolsonaro a pedir publicamente a desobstrução das vias, sem, no entanto, parabenizar Lula pela vitória.

Esses bloqueios causaram alguns problemas de desabastecimento e cancelamento de voos, mas foram perdendo força na primeira semana de novembro.

Com o enfraquecimento dos bloqueios, grupos bolsonaristas começaram a montar acampamentos em frente a quartéis das Forças Armadas em cidades como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, entre outras, exigindo intervenção militar e questionando a legitimidade das eleições.

Mais de 100 acampamentos foram estabelecidos, sendo o mais significativo em frente ao Quartel-General (QG) do Exército, de onde partiram os manifestantes que depredaram a Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

Diferente dos bloqueios, os acampamentos tiveram o apoio direto de Bolsonaro, conforme denunciado pela PGR. A estratégia visava justificar uma eventual intervenção militar, e uma das provas foi a nota dos comandantes das três forças autorizando a permanência dos manifestantes.

Esses acampamentos se tornaram centros de conspiração e contaram com a conivência de autoridades. A logística para a manutenção desses espaços, com estruturas de alimentação e alojamento, foi alvo de processo judicial no STF.

A tensão nos acampamentos aumentou, e a negativa de reconhecimento da derrota culminou em ações do PL, partido de Bolsonaro, que tentaram invalidar votos. Em 12 de dezembro, dia da diplomação de Lula, Brasília viveu uma noite violenta, com tentativas de invasão da sede da Polícia Federal e incêndios de veículos.

Na véspera de Natal, um motorista de caminhão-tanque notou um artefato explosivo, revelando uma tentativa de atentado por apoiadores de Bolsonaro. A tragédia foi evitada devido à falha do explosivo.

Os envolvidos foram condenados em 2023 por crimes relacionados à tentativa de atentado no aeroporto. Os episódios de violência elevaram a tensão, e as autoridades montaram um forte esquema de segurança para a posse de Lula em 1º de janeiro de 2023. O evento ocorreu sem incidentes, mas a calma foi quebrada uma semana depois.

Para lembrar a data, eventos em favor da democracia marcam os três anos dos atos de 8 de janeiro. O presidente Lula participa de cerimônias no Palácio do Planalto, reforçando os valores democráticos. O STF também programou atividades especiais dentro da campanha Democracia Inabalada.


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