Crise no clã Bolsonaro tensiona a base aliada e expõe fissuras internas; entenda
Crise no clã Bolsonaro tensiona a base aliada e expõe fissuras internas
23/02/2026 12h15
Atualizado 1 hora atrás
A disputa pelo controle do campo bolsonarista se intensificou recentemente, especialmente após críticas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em relação à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.
Em entrevista ao SBT News, Eduardo destacou a falta de apoio público de Michelle ao irmão, afirmando: “Eu, pelo menos, não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio. Ela compartilha o Nikolas a toda hora.” Ele argumentou que aliados eleitos sob a influência de Jair Bolsonaro deveriam se engajar mais na campanha do senador.
Essa cobrança explícita trouxe à tona a necessidade de consolidar Flávio como representante do grupo, revelando divergências sobre a construção da unidade da direita neste momento crítico.
A cúpula do Congresso também enfrenta pressão, com parlamentares do Centrão e da direita reivindicando a votação de vetos que podem reduzir a pena de Jair Bolsonaro e outros condenados pelos atos golpistas.
Carlos Bolsonaro expressou descontentamento com Valdemar Costa Neto, presidente do PL, criticando a diminuição da lista de indicados por seu pai.
A resposta de Nikolas foi imediata. Após visitar Jair Bolsonaro no Complexo da Papuda, onde o ex-presidente está preso, ele declarou que “o Eduardo não está bem” e enfatizou que não pretende perder tempo com disputas internas. Além disso, defendeu Michelle, pedindo que Eduardo a deixasse “viver o calvário dela”, ressaltando seu compromisso com o marido e a família. Ele finalizou dizendo que as críticas refletem mais sobre Eduardo do que sobre os visados.
Nikolas é atualmente uma figura influente entre os jovens eleitores bolsonaristas, o que aumenta o peso de sua opinião.
As redes sociais também foram palco de tensão, com seguidores questionando Michelle por não apoiar Flávio e por compartilhar conteúdos de Tarcísio de Freitas, que critica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para muitos, isso indicava um distanciamento em relação ao senador.
Michelle respondeu às críticas publicamente: “Para quem anda se doendo demais: este perfil é privado e a escolha dos vídeos é minha. Fiquem à vontade para sair.”
Ela possui uma posição estratégica, com forte apelo entre o eleitorado feminino e evangélico, e já foi considerada para uma possível vice na chapa de Tarcísio.
Flávio, por sua vez, tem buscado um discurso de unidade, afirmando que os conservadores devem se manter coesos para enfrentar o PT, a quem se refere como “partido das trevas”.
Esse clima tenso ocorre enquanto Jair Bolsonaro continua a influenciar as articulações políticas, mesmo estando preso. Visitas frequentes de parlamentares e declarações sobre listas de candidatos ao Senado mostram que o ex-presidente ainda desempenha um papel central nas negociações.
Carlos Bolsonaro, em postagens na rede X, mencionou um “desencontro” interno no partido, indicando que seu pai estaria sendo isolado das decisões. Ele compartilhou declarações de Valdemar, que reduziu as sugestões de Jair a meros “palpites”.
Recentemente, Carlos também afirmou que seu pai está preparando uma lista de pré-candidatos a cargos relevantes, enquanto políticos visitam Jair na Papuda para discutir estratégias eleitorais.
O conflito entre Eduardo, Michelle e Nikolas evidencia as divergências sobre protagonismo, estratégia e comunicação dentro do bolsonarismo, tornando visível um debate que antes ocorria nos bastidores e nas redes sociais da base conservadora.
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