Armando Miguel Gallo Neto

Crise no Banco Master: o que acontece agora com os investidores

O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Master Corretora nesta terça-feira, 18, após identificar irregularidades graves na instituição. Essa decisão representa o auge da crise que já afetava o Banco Master.

A medida também resultou na indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores do grupo, enquanto uma empresa especializada gerencia a instituição durante a liquidação.

No centro das preocupações dos investidores está o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura o ressarcimento de aplicações elegíveis até R$ 250 mil por CPF. Com a liquidação, a atuação do FGC torna-se crucial.

FGC vira peça central para proteger o dinheiro dos investidores

A crise no Banco Master elevou os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) da instituição ao centro das preocupações dos credores.

Esses títulos prometiam retornos significativamente superiores ao mercado, chegando a 140% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), um patamar considerado irreal, e foram emitidos em larga escala nos últimos anos.

Diante do risco de calote após a liquidação, o papel do FGC se torna essencial. O fundo, que já havia emprestado R$ 4 bilhões ao Master, é responsável por ressarcir investidores até o limite garantido.

O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, parte do Sistema Financeiro Nacional desde 1995. Ele funciona como um seguro coletivo, em que todos os bancos depositam mensalmente uma porcentagem sobre os produtos cobertos, alimentando um caixa para situações de intervenção ou liquidação.

O objetivo do fundo é proteger o capital e a rentabilidade do investidor em renda fixa, mantendo a confiança no sistema financeiro mesmo em crises.

Para os clientes do Banco Master, o FGC garante o pagamento de até R$ 250 mil por CPF em investimentos elegíveis, como os CDBs. Para receber, o investidor deve:

Aguardar a lista de credores que será enviada pela instituição liquidada.

O pagamento começará pelos clientes com cadastro atualizado. Esse processo, embora simples, depende do envio formal das informações ao fundo para ser iniciado.

BC decreta liquidação da Master Corretora e interrompe negociações em andamento

O Banco Central oficializou a liquidação extrajudicial da Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Imobiliários, encerrando imediatamente qualquer operação da instituição e interrompendo negociações de venda em andamento.

Entre essas negociações, estava um acordo com a Fictor Holding Financeira, que previa um aporte de R$ 3 bilhões para reforçar o caixa do grupo.

Com a decisão, a administração da corretora passa para a EFB Regimes Especiais de Empresas, nomeada como liquidante extrajudicial, com amplos poderes para conduzir o processo.

O BC também designou Eduardo Felix Bianchini como responsável técnico, coordenando as etapas operacionais da liquidação e centralizando informações sobre ativos e passivos da instituição.

A indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores, decretada pelo BC, impede movimentações patrimoniais enquanto as investigações sobre as irregularidades avançam.

A lista inclui empresas como a Master Holding Financeira S.A. e 133 Investimentos e Participações Ltda., além de nomes como Daniel Vorcaro (preso nesta terça), Armando Miguel Gallo Neto e Felipe Wallace Simonsen.

O comunicado do BC orienta que informações sobre bens em nome da Master sejam enviadas diretamente ao liquidante.

Liquidação do Banco Master e a Operação Compliance Zero

A liquidação do Banco Master está diretamente ligada à Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos no Sistema Financeiro Nacional.

As investigações indicam que o esquema pode ter movimentado até R$ 12 bilhões através da fabricação de carteiras de crédito insubsistentes, que eram repassadas a outras instituições e depois substituídas sem a devida avaliação técnica.

As apurações começaram em 2024 e investigam crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. A Polícia Federal cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em cinco estados e no Distrito Federal.

O caso ganhou notoriedade devido à combinação de fraudes financeiras, riscos ao sistema bancário e o impacto direto sobre milhares de investidores e correntistas do grupo Master.

A prisão de Daniel Vorcaro, controlador do banco, foi um dos pontos mais dramáticos, detido no aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar em um avião particular. Ele supostamente tentava deixar o país rumo a Malta, mas sua defesa afirma que o destino era Dubai para reuniões com compradores do banco.

Além dele, outros quatro diretores do Master foram presos, e a PF cumpriu seis dos sete mandados de prisão na operação.


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