Credcesta, do Banco Pleno, foi privatizado por Rui Costa e passou de cartão quebrado a operação bilionária em poucos anos
Credcesta transforma-se em operação bilionária após privatização por Rui Costa
A trajetória do Credcesta, pertencente ao Banco Pleno, passou de um cartão com dificuldades a uma operação de grandes dimensões em um curto espaço de tempo.
Três leilões e adaptações no produto foram necessários para atrair um comprador e tornar a operação mais competitiva.
A essência do Banco Pleno, liquidado recentemente pelo Banco Central, era o cartão consignado Credcesta, que foi incorporado ao conglomerado do Master por Augusto Lima quando se uniu a Daniel Vorcaro, em 2019. Lima havia adquirido a operação meses antes e buscava parcerias com outros bancos antes de se associar ao Master.
Em 2018, o então governador Rui Costa (PT) decidiu privatizar a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que era proprietária da rede de supermercados Cesta do Povo. Para concretizar a venda, foram necessários três leilões e reformas no cartão de crédito consignado.
Em uma entrevista recente, Costa comentou sobre a privatização, afirmando que vendeu um supermercado com um prejuízo anual de quase R$ 200 milhões. Ele destacou que a venda só foi possível devido à operação do Credcesta. Segundo ele, se o cartão não estivesse incluído, a venda não teria ocorrido.
O leilão foi vencido pela NGV, com Ignácio Moralez como único sócio. Contudo, antes do leilão, o advogado Daniel Monteiro enviou um e-mail a Lima e Carlos Peretto, propondo que subscrevessem debêntures da NGV.
Na véspera do leilão, o Credcesta garantiu uma exclusividade de 15 anos na exploração do cartão consignado junto aos três Poderes da Bahia, permitindo acesso a até 30% da margem consignável. Após o leilão, o governo assegurou que não haveria sucessão de dívidas para a NGV, facilitando a associação entre Lima e Vorcaro.
A NGV cedeu os direitos do Credcesta para a PKL, e o Master adquiriu 50% da empresa por R$ 22 milhões. Os fundos que permitiram a Lima controlar a PKL eram o Diamond e o Reag 34, ambos sob a gestão de João Carlos Mansur, que também é investigado em operações de corrupção.
Antes de se unir a Vorcaro, Lima chegou a procurar outros bancos, incluindo o Bmg, mas não obteve sucesso. Ele até contratou Márcio Alaor, ex-vice-presidente do Bmg, para ajudar a estruturar sua rede de correspondentes bancários. Após a parceria com o Master, o Credcesta viu um crescimento acelerado.
Em 2024, o cartão-benefício estava disponível em 24 estados e alcançava 176 municípios, com convênios significativos na Bahia e no Rio de Janeiro. Diferentemente do consignado do INSS, os convênios com os governos estaduais e municipais não possuem limites de juros, o que pode resultar em taxas mais elevadas.
O Credcesta chegou a ter um convênio com o INSS, mas sua relevância foi limitada. Em 2024, Lima e Vorcaro afirmaram que a operação contava com mais de 4,5 milhões de clientes e uma carteira de R$ 4 bilhões, detendo quase 80% do mercado nessa modalidade. "Estamos originando de R$ 300 milhões a R$ 400 milhões por mês no Credcesta", declarou Vorcaro.
Entretanto, ao longo de 2025, com o Master enfrentando dificuldades, esse volume caiu para menos de R$ 100 milhões mensais, de acordo com fontes do setor, mostrando uma queda acentuada próximo a 2026.
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