empresário investigado

CPMI do INSS: empresário investigado doou R$ 100 mil ao PT

Empresário sob investigação doou R$ 100 mil ao PT em 2022

Atualizado em 06/10/2025 às 22:52

O economista e empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, envolvido na Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF), fez uma doação de R$ 100 mil ao Partido dos Trabalhadores (PT) durante as eleições de 2022. Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, nesta segunda-feira (6), o empresário revelou ter contribuído com o PT e o Partido Progressista (PP), ambos na mesma quantia.

Além das doações aos partidos, Cavalcanti mencionou que também fez contribuições diretas a candidatos a prefeito e vereador de diversas legendas em 2022.

O empresário é investigado pela PF como operador financeiro de um dos principais beneficiários dos desvios do INSS, sendo citado como “laranja” de um advogado também investigado.

Em resposta ao relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar (União – AL), Cavalcanti justificou suas doações afirmando ser um democrata que gosta de “investir e ajudar não só amigos, mas bons projetos”, enfatizando que não tinha “nenhum interesse, zero” nas contribuições, que foram feitas dentro da legalidade.

Ele explicou que sua motivação para doar a ambos os partidos foi a “polarização partidária” no Brasil, desejando apoiar tanto a direita quanto a esquerda.

Sobre o assunto, o deputado Rogério Correia (PT-MG) comentou que as doações são “questões [do PT de] São Paulo”, sugerindo que mais informações deveriam ser requisitadas ao diretório paulista do partido.

Cavalcanti também declarou ter feito doações que variam de R$ 50 mil a R$ 200 mil para candidatos a prefeito e vereador nas eleições de 2024. Ele revelou ainda que cedeu sua casa, localizada no Lago Sul, em Brasília, para um evento do PSD e doou um Fusca ao governador Ibaneis Rocha (MDB), em celebração ao aniversário do chefe do Executivo do DF.

Durante uma coletiva, o deputado Rogério Correia confirmou que as doações foram direcionadas a candidatos do PT, ressaltando que é necessário verificar a situação, mas que pareciam estar ligadas a questões de São Paulo. A reportagem aguardava um retorno sobre posicionamentos do PT, do PP e do PSD.

Relator da CPMI questiona origem do patrimônio de Cavalcanti

O relator da CPMI, Alfredo Gaspar, confrontou Cavalcanti sobre a origem de seu patrimônio, que cresceu significativamente desde 2018, ano de criação de uma das empresas investigadas. Gaspar destacou a renda declarada de R$ 51 mil mensais e expressou ceticismo sobre a transformação dessa quantia em milhões.

Cavalcanti negou que essa fosse sua renda total, afirmando receber participações nos lucros de um escritório de advocacia, resultado de “trabalho árduo e crescimento do mercado jurídico”. Ele defendeu que seu patrimônio é de “origem lícita” e “compatível com suas atividades”.

Cavalcanti é o único sócio de uma empresa de investimentos com capital social de R$ 1 milhão, mas que possui um patrimônio elevado, incluindo entre 21 e 23 veículos, uma Ferrari avaliada em R$ 4 milhões, e diversos outros automóveis de luxo.

Durante a operação da PF, foram apreendidos relógios de luxo e uma quantidade significativa de vinho, estimada em R$ 7 milhões.

Defesa de Cavalcanti refuta acusações de ocultação de bens

Cavalcanti negou as alegações de ocultação de veículos que o levaram a ser incluído no inquérito. Ele admitiu ter retirado os carros de sua residência um dia antes da operação, mas justificou que o fez para proteger os veículos.

O empresário também se defendeu de ser “laranja” do advogado mencionado na CPMI. Afastado de suas funções, ele declarou estar promovendo a desvinculação de sociedades, em conformidade com exigências de compliance durante as investigações.

Cavalcanti reiterou que não está envolvido em fraudes no INSS e que seu crescimento patrimonial não tem relação com a entidade citada pela CPMI.

Em depoimento, ele afirmou que sua conexão com os suspeitos era meramente social e negou ser parte de qualquer esquema fraudulento.

Cavalcanti também destacou que todos os bens apreendidos foram adquiridos de maneira legal e com recursos próprios.


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