CPMI do INSS aprova quebra de sigilo bancário de Lulinha em sessão tumultuada: o que se sabe sobre acusações contra filho do presidente
Quebra de sigilo bancário de Lulinha é aprovada pela CPMI do INSS
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga um esquema de fraudes bilionárias no INSS decidiu, nesta quinta-feira (26/10), pela quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A sessão foi marcada por tumulto, com confrontos entre parlamentares.
A oposição contestou a votação, alegando erro na contagem dos votos durante a votação simbólica. Após o presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), negar um pedido de anulação, o assunto foi levado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), cujo parecer ainda não foi divulgado.
A quebra de sigilo visa investigar uma possível relação de Lulinha com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "careca do INSS". Em dezembro, a Polícia Federal revelou pagamentos que totalizaram R$ 1,5 milhão, feitos por Antunes a uma empresária próxima a Lulinha, Roberta Luchsinger, que foi alvo de mandados de busca e apreensão. A operação também resultou na prisão de Adroaldo da Cunha Portal, o "número 2" do Ministério da Previdência, e Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado.
Um dos pagamentos a Luchsinger, no valor de R$ 300 mil, foi mencionado em mensagens nas quais Antunes se referia ao "filho do rapaz". Os investigadores tentam confirmar se esta referência é a Lulinha.
Em dezembro, questionado sobre o assunto, Lula afirmou que todas as pessoas envolvidas no esquema seriam investigadas, incluindo seus familiares.
As investigações indicam que Antunes era um dos principais operadores do esquema, atuando como intermediário entre sindicatos e servidores do INSS, recebendo valores descontados indevidamente e repassando-os a funcionários do instituto e empresas ligadas a eles.
Pagamentos relacionados a Antunes foram destinados à RL Consultoria e Intermediações, da qual Luchsinger é sócia. Os repasses teriam sido justificados por serviços não prestados, e a empresária seria um elo entre Lulinha e Antunes.
Mensagens analisadas pela PF revelam que Luchsinger orientava Antunes a se desfazer de telefones e mencionava um envelope encontrado durante uma busca.
Duas semanas antes, a CPMI havia rejeitado a convocação de Lulinha para esclarecimentos, um pedido que ganhou força após um depoimento de uma testemunha que alegava que Lulinha teria recebido uma "mesada" de Antunes, que foi preso em setembro.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) argumentou que o pedido de convocação estava sem fundamento e que não havia provas ligando Lulinha ao esquema.
Em outubro, a CPMI também havia barrado a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula. A nova pressão para convocar Lulinha surgiu após o depoimento de Edson Claro, ex-funcionário do INSS, que alegou que Lulinha manteve relações próximas e até uma sociedade com Antunes.
Segundo Claro, Lulinha teria recebido 25 milhões de Antunes e uma "mesada" de R$ 300 mil. Ele também teria atuado como lobista para Antunes.
Lulinha, filho mais velho de Lula, é formado em biologia e tem empresas no setor de tecnologia. Nos anos 2000, tornou-se sócio da Gamecorp, empresa de jogos eletrônicos.
Em 2019, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por suposto recebimento de vantagens da Oi/Telemar entre 2004 e 2016. Em 2020, ele foi investigado na Operação Lava Jato por receber repasses de mais de R$ 100 milhões do mesmo grupo.
Recentemente, foi revelado que Lulinha se mudou para a Espanha e retornará ao Brasil apenas após o fim do mandato do pai.
A investigação da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal, realizada em abril de 2025, revelou fraudes no INSS que impactaram centenas de milhares de aposentados.
Os esquemas, que teriam envolvido R$ 6,3 bilhões em descontos indevidos, foram facilitados por convênios entre sindicatos e o INSS.
As investigações apontam que Antunes atuou como facilitador do esquema, e empresas ligadas a ele funcionaram como intermediárias financeiras das associações envolvidas nas fraudes.
← Voltar para as notícias