Careca do INSS CPMI: 'Careca do INSS' e advogado que denunciou ...

CPMI: 'Careca do INSS' e advogado que denunciou ...

CPMI aprova acareação entre advogado e empresário acusado de fraudes

Da Agência Senado | 06/11/2025, 11h53

A CPMI do INSS tomou a decisão, nesta quinta-feira (6), de realizar a acareação entre o advogado Eli Cohen e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Cohen foi um dos primeiros a denunciar as fraudes relacionadas aos descontos associativos de aposentados, enquanto Antunes é acusado de ser um dos principais responsáveis pelo esquema.

O requerimento para a acareação (Requerimento 1.985/2025 — CPMI do INSS) foi apresentado pelo vice-presidente da comissão, deputado Duarte Júnior (PSB-MA).

Esse procedimento consiste em confrontar pessoalmente duas pessoas que apresentaram depoimentos contraditórios, permitindo que os investigadores esclareçam os fatos. Até o momento, não há uma data definida para os depoimentos, embora ambos já tenham falado à CPMI, mas de forma isolada.

As fraudes em questão envolveram a falsificação de autorizações de idosos para que se tornassem mensalistas de associações e sindicatos. As entidades, então, utilizavam acordos irregulares com o INSS para realizar descontos automáticos das mensalidades nas aposentadorias e pensões. A Polícia Federal estima que o prejuízo total tenha alcançado R$ 6,3 bilhões, referente ao período entre 2019 e 2024.

Além disso, foram aprovados pedidos de prisão preventiva para quatro indivíduos:

O economista Rubens Oliveira Costa, que havia sido preso em flagrante em setembro durante seu depoimento à CPMI. O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), acusou-o de “visível ocultação documental” e de estar vinculado a empresas de Antunes (REQ 1.942/2025 - CPMI do INSS).

O empresário Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), que é acusado de ter recebido recursos ilegais do esquema (REQ 2.275/2025 - CPMI do INSS).

O presidente do Instituto Terra e Trabalho (ITT), Vinícius Ramos da Cruz, que também é acusado de participação nas fraudes (REQ 2.515/2025 - CPMI do INSS).

O secretário da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Silas da Costa Vaz, que segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), pode ter atuado como “laranja” dos beneficiários do esquema (REQ 2.516/2025 - CPMI do INSS).

A Justiça poderá reter os passaportes de todos os acusados cujas prisões foram solicitadas pela CPMI (REQ 2.184/2025 - CPMI do INSS).

A comissão também recebeu informações da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre acordos entre bancos e o INSS que possibilitam créditos consignados, outra linha de investigação da CPMI (REQ 2.088/2025 - CPMI do INSS). Nesse tipo de operação, o aposentado contrai um empréstimo que é pago automaticamente através de descontos na aposentadoria.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) enfatizou que a CPMI deveria priorizar as investigações relacionadas a estas fraudes.

Os parlamentares também ouvirão o servidor de carreira do INSS, Saulo Milhomem dos Santos (REQ 1.619/2025 - CPMI do INSS), que era responsável pelo cadastro e pagamento de benefícios no órgão.

Adicionalmente, cinco pessoas ligadas a entidades que se beneficiaram dos desvios terão que comparecer à CPMI, incluindo a Arpar Administração, a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA) e a União Brasileira de Aposentados da Previdência (Unibap).

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) deverá fornecer mais 130 relatórios de inteligência financeira à comissão, revelando informações bancárias e fiscais de alvos investigados.

Dentre esses, 35 referem-se a pessoas físicas, incluindo a advogada Tonia Andrea Inocentini Galleti, que foi questionada sobre valores recebidos do esquema durante seu depoimento em outubro.

Os demais relatórios focarão em empresas e associações de aposentados.


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