Alessandro Vieira

CPI questiona Meta sobre lucros com anúncios de crime e golpes

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado abordou, nesta terça-feira, a Meta, responsável por plataformas como WhatsApp, Facebook e Instagram, a respeito dos lucros gerados com a veiculação de anúncios relacionados a crimes nas redes sociais.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), enfatizou que a receita proveniente de anúncios de golpes e fraudes na internet atinge bilhões de dólares, o que poderia estimular a continuidade da presença desse tipo de conteúdo nas plataformas.

O senador solicitou a presença do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister, para esclarecer informações veiculadas na imprensa sobre os lucros da empresa relacionados a fraudes. Entretanto, a empresa enviou Yana Dumaresq Sobral Alves, diretora de Políticas Econômicas para a América Latina.

“Documentos indicam que a Meta faturou cerca de US$ 16 bilhões em 2024 com anúncios de golpes e produtos ilegais, representando aproximadamente 10% da receita anual total da empresa”, afirmou o parlamentar.

Vieira sustenta que a Meta tem dificultado a atuação das autoridades, uma vez que a criptografia de ponta a ponta aplicada nas conversas do WhatsApp e Messenger pode favorecer práticas criminosas, mesmo com evidências internas sobre esses riscos.

Yana Dumaresq negou qualquer interesse econômico da Meta em anúncios fraudulentos, destacando que a empresa tem sido reconhecida por autoridades de segurança pelo combate às fraudes. Ela mencionou que quase 12 milhões de contas associadas a atividades criminosas foram desarticuladas e 134 milhões de anúncios fraudulentos removidos em 2025.

“A confiança em nossas plataformas é essencial para o sucesso do nosso negócio. Nosso objetivo é proteger usuários e empresas contra práticas enganosas”, concluiu.

Para o senador, a empresa age dessa forma para evitar indenizações, já que a Justiça não tem acesso a conteúdos que prejudicam as vítimas. Vieira acredita que a Meta permite a propagação de conteúdo criminoso sem comprometer sua imagem, dada sua posição dominante no mercado.

A Meta enfrenta uma ação judicial nos EUA por supostamente facilitar a exploração sexual de crianças e adolescentes. A gigante da tecnologia nega as acusações.

O uso de redes sociais para exploração sexual também afeta outras plataformas, como a X. A União Europeia abriu uma investigação sobre o uso da inteligência artificial Grok, da plataforma X, para criar imagens sexualizadas de pessoas reais.

O senador Vieira questionou Yana sobre uma reportagem da Reuters, de dezembro de 2025, que menciona documentos internos da Meta que orientam a empresa a evitar regulamentações estatais que poderiam eliminar anúncios fraudulentos.

“Trabalho com esse tema dentro da empresa há mais de dois anos e nunca vi nenhum documento que indique esse tipo de abordagem”, respondeu Yana.

O relator da CPI também indagou sobre a capacidade da Meta de identificar e impedir a divulgação de imagens de abuso sexual infantil. Ele citou um relatório de 2020 que aponta o Facebook como a plataforma mais utilizada por traficantes sexuais para aliciar crianças.

Yana não soube precisar se a Meta pode efetivamente identificar conteúdos de pornografia infantil e prevenir sua divulgação.

A diretora também não respondeu a questões específicas sobre criptografia e algoritmos nas redes sociais que possam favorecer conteúdos políticos.

Essa falta de clareza levou o relator a solicitar a convocação do diretor-geral da Meta no Brasil novamente.

A CPI busca esclarecer a atuação da Meta em relação a conteúdos criminosos, destacando a necessidade de regulamentação nesse setor. A situação é crítica, considerando o impacto dessas plataformas na sociedade digital atual.


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